Capítulo 18
Eu nunca tinha sido de experimentar coisas, nunca ninguém me incentivou a isso, mas aquela mulher estava me mudando por dentro sem que eu soubesse se era de propósito ou não — e o pior era imaginar que ela sabia exatamente o que fazia. Cada toque dela era cirúrgico, cada gota de cera que pingava me virava do avesso, me fazia delirar. A dor virava uma amiga traiçoeira, esquentava minha pele de um jeito delicioso, eu sentia o frio na carne arrepiada e, de repente, outra gota quente caía, queimando, me derretendo como a própria cera da vela. Meu corpo se contorcia devagar, o suor escorrendo pelas costas, misturando-se ao cheiro de canela que subia devagarinho do pavio.
Sempre que minha mão acelerava no clitóris, ela parava tudo com um toque firme no pulso. “Devagar, Luana… ainda não.” Eu ficava ali, presa naquele limbo insuportável de “quase lá”, o prazer se acumulando como uma pressão que não explodia, só crescia, latejava, me deixava ofegante, as coxas tremendo, o ar saindo em golfadas curtas. “Que porra é essa, Luana? Você, a menina certinha da faculdade de direito, deitada aqui se masturbando na frente de uma estranha enquanto ela te tortura com cera quente? Como você chegou nisso?”, o pensamento vinha e ia, misturado ao gemido que eu tentava engolir.
Então percebi que ela guardou a vela de lado, o pavio ainda fumegando. Natália se moveu devagar, ajoelhando entre minhas pernas, os olhos fixos nos meus, um sorriso malicioso curvando os lábios inchados. Prendeu os cabelos atrás da orelha com um gesto lento, quase teatral.
— Agora eu quero ver do que você é feita… — murmurou, a voz baixa, rouca, carregada de safadeza que me fez o estômago dar um nó.
Meu coração disparou. “Gente, ela vai me chupar. Ai meu Deus, uma mulher vai me chupar… eu nunca… eu não sei nem como reagir a isso.” O pânico veio como um soco no peito, mas o corpo já se abria para ela, as coxas se afastando mais, traidoras, molhadas, implorando.
Ela desceu. O primeiro contato foi o nariz roçando a pele interna da minha coxa, inalando meu cheiro como se fosse um vinho caro. Depois os lábios — macios, quentes, delicados — se fecharam sobre mim. Um beijo suave no começo, só os lábios selando meu sexo inteiro, sugando de leve, e eu arqueei as costas inteira, um gemido rouco escapando sem permissão. A língua dela saiu devagar, plana, lambendo de baixo para cima numa linha lenta e precisa que acertou o clitóris em cheio. O prazer veio como um raio, me atravessando de ponta a ponta, fazendo meus dedos dos pés se curvarem, as pernas tremerem.
Era insano. A boca era perfeita — macia, úmida, quente, sem pressa, mas sem piedade. A língua circulava o clitóris em movimentos lentos e largos, depois apertados, depois rápidos, variando a pressão como se soubesse exatamente onde eu mais precisava. E então veio o dedo: um só, escorregando para dentro de mim com uma facilidade obscena, curvando-se no ângulo exato, tocando aquele ponto interno que me fez ver estrelas. Dois dedos vieram, movendo-se ritmados, firmes, massageando sem parar enquanto a boca chupava mais forte, a língua dura batendo no clitóris em lambidas rápidas, depois sugando devagar, depois lambendo de novo.
O prazer era avassalador, sensorial, molhado, vivo. Eu sentia cada detalhe: o calor da respiração dela contra minha pele sensível, o som úmido da boca trabalhando, o cheiro de sexo misturado ao perfume dela, o suor escorrendo pelas minhas costas, os mamilos duros roçando no ar fresco. Meu corpo inteiro pulsava, as contrações internas apertando os dedos dela, o clitóris inchado latejando sob a língua que não parava. Gozei rápido — rápido demais —, um orgasmo que explodiu como fogo líquido, me arqueando da cama num grito abafado, as coxas tremendo violentamente, ondas de prazer me atravessando uma atrás da outra, me deixando mole, ofegante, o mundo girando.
Mas ela não parou.
Continuou. A boca macia voltou a sugar devagar, a língua agora mais leve, circulando o clitóris sensível com toques delicados que prolongavam o êxtase, transformando o pico em um platô eterno. Os dedos ainda dentro, curvados, massageando aquele ponto sem misericórdia, acertando sempre o lugar certo, a pressão perfeita, me levando de novo ao limite antes mesmo que eu tivesse recuperado o fôlego. Cada lambida era uma faísca, cada sucção um puxão que me fazia gemer alto, sem vergonha, as mãos agarrando os lençóis como se fossem a única coisa real no mundo.
“Caralho… isso é bom demais… eu não aguento… mas não quero que pare… por que nunca foi assim com homem nenhum?”, pensei entre os gemidos, a mente fragmentada, o corpo convulsionando de novo, outro orgasmo se aproximando rápido, inevitável, enquanto ela me olhava de baixo, os olhos brilhando de vitória, a boca ainda grudada em mim, me devorando devagar, me fazendo derreter inteira como a cera que ainda grudava na minha pele. Eu ri baixinho, histérica como uma louca perdendo completamente a conexão com o mundo pela força daquele orgasmo que eu senti e tive que gritar:
— Sai, por favor sai! Eu vou morrer assim, cacete!
Fechei as pernas às pressas, o corpo inteiro ainda convulsionando, e empurrei a cabeça dela para longe com as duas mãos trêmulas. Caímos as duas na cama, num emaranhado de lençóis úmidos e risadas histéricas que saíam do fundo do peito como se eu tivesse acabado de escapar de um afogamento.
Natália rolou de lado, o rosto vermelho, os olhos brilhando de diversão pura, e me olhou como quem acabou de ganhar uma aposta.
— Não é para tanto, né, Luana?
— Como assim não é? Tá maluca? Eu não sei o que aconteceu aqui… eu tô tremendo.
E era verdade. Meu corpo inteiro vibrava, um tremor fino e insistente que começava nas coxas e subia até a nuca. Minha buceta latejava, inchada, sensível demais — cada vez que eu roçava no lençol, um choque elétrico subia pela coluna, me fazia arquear as costas e soltar um gemidinho involuntário. “Meu Deus, Luana, você gozou duas vezes na boca de uma mulher… e gozou gritando. Que porra é essa que você virou?”, pensei, e o pensamento veio acompanhado de um riso nervoso que não consegui segurar.
Ela se apoiou no cotovelo, os seios balançando levemente com o movimento, o suor brilhando na clavícula sob a luz amarelada do abajur.
— Sua vez agora, sapatão!
— Minha vez o quê?
— De me chupar. Anda. Quer me chupar de frente ou de quatro?
O ar ficou preso na garganta. Em toda a minha vida eu teria sentido nojo só de imaginar a cena — minha boca na buceta de outra mulher, o gosto, o cheiro, a intimidade crua. Mas ali, naquele instante, o nojo não veio. Em vez dele, uma pontada quente de vergonha misturada a curiosidade. Eu queria ouvir ela gozar. Queria saber se conseguia fazer aquilo direito, se minha língua era capaz de arrancar dela os mesmos gemidos que ela tinha arrancado de mim. Meu sexo ainda pulsava, molhado, traidor, e eu senti uma nova onda de calor subir quando imaginei o rosto dela se contorcendo de prazer por minha causa.
— Eu não sei fazer isso, Natália…
— Escolhe. Se você não escolher, eu vou sentar na sua cara.
Eu ri. Um riso curto, quase desesperado.
— Agora eu não sei se eu quero escolher…
As palavras saíram antes que eu pudesse segurar, e me surpreendi com a verdade delas. Eu não me importaria. De verdade. A ideia de ela sentar na minha cara, de me sufocar com aquele calor úmido, de sentir o peso dela me usando… me deu um arrepio que desceu direto pro clitóris. Respirei fundo, o peito subindo e descendo rápido, e soltei:
— De quatro…
Natália sorriu devagar, um sorriso preguiçoso e vitorioso. Sem dizer nada, ela se virou, ficou de joelhos na cama, as costas arqueadas, a bunda empinada na minha direção. A luz batia na pele dela, destacando as curvas suaves, a linha da coluna, o sexo aberto e brilhante de tesão. O cheiro chegou até mim — doce, salgado, vivo —, e meu estômago deu um nó de ansiedade e desejo ao mesmo tempo.
Ela olhou por cima do ombro, os cabelos caindo no rosto, os olhos semicerrados.
— Vem, Luana. Só vem.
Eu me arrastei de joelhos, o coração na boca e me posicionei atrás dela, as mãos hesitantes tocando as coxas macias, sentindo o calor que emanava dali. O sexo dela estava ali, a centímetros do meu rosto — rosado, inchado, escorrendo devagar. Engoli em seco. O primeiro toque foi tímido: os lábios roçando de leve, só sentindo a textura quente e úmida. Ela soltou um suspiro baixo, satisfeito.
— Isso… assim…
Encorajada, abri a boca. A língua saiu devagar, lambendo de baixo pra cima, provando o gosto salgado-doce que invadiu minha boca inteira. Era quente, viscoso, vivo. Fiz como ela tinha feito comigo: lambidas largas, lentas, subindo até o clitóris, circulando devagar. Ela gemeu mais alto, empinando mais a bunda, me convidando a ir mais fundo. Enfiei a língua, desajeitada no começo, explorando as dobras, chupando os lábios, voltando pro clitóris. O gosto ficava mais forte, mais doce, e eu sentia ela pulsar na minha boca.
— Isso, garota… chupa mais forte…
Ela virou o rosto de lado, me olhando por cima do ombro, os olhos vidrados. Eu obedeci. Chupei o clitóris como se fosse um pirulito, língua dura, depois mole, sugando, lambendo, sentindo ele inchar mais. Minhas mãos subiram pelas coxas dela, apertando a carne macia, puxando-a contra minha cara. Ela rebolava devagar, me usando, os gemidos virando gritos abafados.
— Mais rápido… vai, Luana… me faz gozar…
Eu acelerei. Dois dedos escorregaram para dentro dela sem esforço, curvando-se no ponto certo, massageando enquanto a boca trabalhava no clitóris. Ela travou. O corpo inteiro endureceu, as coxas tremendo contra minhas bochechas. Um molhado quente, doce, escorreu na minha boca. Ela gozou forte, rebolando na minha cara, me afogando no prazer dela, os gemidos ecoando pelo quarto.
Eu continuei lambendo devagar, prolongando, até ela empurrar minha cabeça para trás, ofegante, rindo baixo.
— Caralho… você aprende rápido, hein?
Eu me sentei nos calcanhares, o rosto melado, o gosto dela ainda na língua, o coração disparado. Ri também, um riso rouco, quase histérico.
Mas eu precisava parar, na cabeceira o meu telefone tocou, e eu não podia fazer ele esperar além do terceiro toque.
Ele estava me ligando.
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