Capítulo 29

Eu estava inclinada sobre a mesa, bunda empinada como um animal pronto para o abate, o esperma dele ainda grudado no meu cabelo e escorrendo devagar pela bochecha. O cheiro forte, almiscarado, subia até minhas narinas a cada respiração curta e entrecortada. Meus joelhos latejavam do tempo que passei ajoelhada embaixo da mesa, como uma cadela observando o dono se masturbar para outra mulher. E agora ele me batia. Cada tapa ecoava seco no escritório silencioso, a pele ardendo em ondas quentes que se espalhavam pela carne.

“Meu Deus… como eu cheguei aqui? De coleira, nua, com porra no rosto e pedindo por mais…”, pensei, os dentes cravados no lábio inferior para não deixar escapar nenhum som que pudesse soar como fraqueza.

Os tapas não paravam. Mas não eram tapas comuns, brutais e sem ritmo. Ele sabia exatamente o que fazia. A intensidade variava de acordo com o lugar — mais leve na curva onde a nádega encontrava a coxa, quase uma carícia dolorida que fazia minha pele formigar; mais forte no centro da carne, onde o impacto se espalhava como fogo líquido e me arrancava um gemido abafado. A velocidade também mudava: sequências rápidas que deixavam a pele queimando sem pausa, seguidas de pausas longas em que o ardor se assentava fundo, pulsando junto com meu coração.

“Ele é treinado… isso é BDSM de verdade. Não é só bater. Ele sabe onde dói mais, onde a dor vira outra coisa…”, a constatação veio como um choque frio no meio do calor. Madame Lulu tinha falado sobre isso nas aulas, mas sentir na pele era diferente. Cada golpe parecia calculado para me desmontar devagar, para transformar a humilhação em algo que latejava entre as minhas pernas. Meu sexo pulsava, molhado, escorrendo pela parte interna das coxas. A vergonha queimava tanto quanto os tapas, mas o tesão era maior. Traidor. Insaciável.

Outro tapa, mais forte, bem no limite da nádega. O ar saiu dos meus pulmões num suspiro rouco. A ardência se espalhou, quente, profunda, e eu senti meus mamilos endurecerem contra a madeira fria da mesa. Meu corpo inteiro tremia — de dor, de excitação, de rendição. A coleira apertava levemente minha garganta a cada respiração ofegante, lembrando-me de quem eu era agora: propriedade dele.

Ele parou por um instante. Senti sua mão grande espalmar minha bunda marcada, apertando a carne quente, abrindo-me sem pressa. O ar frio bateu direto no meu sexo exposto, molhado, latejando. Um gemido escapou antes que eu conseguisse segurar.

“Me come… por favor… me fode logo…”, o pensamento martelava, cada vez mais urgente. Eu não queria que parasse. Queria que ele me invadisse, que me usasse com a mesma precisão com que batia. Queria sentir aquele pau grosso que eu tinha visto de perto, enchendo-me até eu não aguentar mais.

As lágrimas começaram a descer. Não de dor. De desejo. De humilhação misturada com uma necessidade tão crua que me quebrava por dentro.

— Por favor, meu senhor… — minha voz saiu trêmula, molhada de choro, quase um soluço. — Me come… eu preciso… por favor, me fode… eu não aguento mais…

As palavras saíram entre soluços baixos, meu corpo tremendo sobre a mesa, bunda empinada e marcada, rosto molhado de lágrimas e do resquício do esperma dele. Eu não pedia para parar. Eu implorava para que ele fosse mais fundo. Para que me corrompesse de vez.

O mundo desapareceu em silêncio nesse momento. Eu tive o impulso quase animal de me levantar da mesa, de fugir daquela posição ridícula, mas lembrei da obediência que ele havia gravado em mim e fiquei ali, imóvel, deixando as lágrimas escorrerem quentes pelo meu rosto enquanto um líquido quente de prazer traía minhas coxas, escorrendo devagar pela pele arrepiada.

“Meu Deus… olha o que eu me tornei. Chorando e molhando a perna toda só porque ele me bateu. Que vadia doente eu sou.”

Não sentia mais o calor da presença dele atrás de mim, nem sua voz, nem qualquer ruído. O que eu fiz foi deitar meu rosto calmamente sobre a madeira fria da mesa e ouvir meu próprio coração bater forte dentro do peito, tum-tum, tum-tum, como um tambor surdo que ecoava na cabeça. O ar ia esfriando nos pulmões a cada respiração lenta, o corpo relaxando aos poucos apesar da dor, e a minha bunda inteira ardia, latejava, dolorida como se tivesse sido marcada a ferro. Era estranho. Esquisito. Mas eu estava gostando daquela merda inteira.

O silêncio foi rompido quando a porta da sala fez um movimento e bateu novamente contra o batente. Ele havia me deixado ali, sem ordens. Se eu não tinha uma ordem, eu tinha que permanecer na posição que ele deixou, não importava o tempo que demorasse. E sempre demorava. Eu perdia rapidamente a noção do tempo quando ele me deixava assim. Não sabia se eram minutos ou horas. Só sabia que a minha desobediência seria punida com bofetadas na bunda até me deixar quase rouca, e segundo ele, eu ainda estava em treinamento e aquilo era leve…

Algum tempo depois ele entrou na sala novamente. Senti primeiro o cheiro: banho recente, sabonete neutro misturado a um perfume fresco, renovado, quase frio. O tilintar suave de gelo num copo acompanhava seus passos. Havia algo mais — o ruído leve de objetos sendo colocados sobre a mesa —, mas não ousei virar o rosto para ver. Fiquei exatamente como ele me deixou, bunda ainda empinada, rosto colado na madeira, lágrimas e esperma secando na pele.

— Nossa, Luana, você está fedendo!

As palavras caíram como um balde de água gelada. Antes mesmo que a ofensa pudesse se alojar direito no peito, minha boca já respondeu por instinto:

— Perdão, senhor. O senhor deseja que eu me lave, se achar melhor?

Ele soltou um som baixo, quase um suspiro de impaciência.

— Não. Mas cuide disso futuramente. Está fedendo a prostituta barata e usada. E eu não gosto de mulher porca. Te dei um kit de higiene para isso.