Capítulo 7

A confirmação não veio com um trovão, mas com o brilho pálido da tela do celular. Em vez de seguir para o elevador, empurrei a porta corta-fogo e mergulhei no silêncio de concreto da escada de incêndio. Meus dedos tremiam levemente enquanto eu abria a notificação de um número desconhecido.

Eram cinco arquivos.

Ao abrir a primeira foto, meu queixo caiu e o ar pareceu faltar nos pulmões. Não eram nudes profissionais ou poses ensaiadas; eram registros experimentais, daquelas que uma garota tira sozinha na frente do espelho para descobrir a própria sensualidade. Em todas, ela estava apenas de calcinha, com os seios à mostra, a pele alva contrastando com mamilos escuros. O corpo era firme, jovem, com curvas que exalavam uma delícia proibida.

Fechei as fotos com o coração martelando contra as costelas e digitei rápido:

"Qual seu nome? Esqueci de perguntar..."

Aguardei. Cinco minutos se passaram. O "visto" apareceu, mas o silêncio dela foi absoluto. Aquela falta de resposta me deixou em um estado de suspensão febril. Ou o anel era uma arma de dominação mental, ou o destino estava pregando a peça mais elaborada da história em cima de um otário. Eu precisava de um teste definitivo. Um alvo difícil.

Saí da penumbra da escada, atravessei o hall e peguei o elevador para o nono andar. Trabalhar com marketing exigia que eu fosse um "facilitador", um produtor faz-tudo que mantinha os clientes sorridentes e os eventos funcionando. Mas ali dentro, o sorriso era a última coisa que eu sentia ao cruzar a porta de vidro da agência.

Antes mesmo de eu largar a bolsa, ela veio na minha direção. Era a mulher mais detestada do escritório, a "gerente de sei lá o quê" que subiu de balconista a chefe em tempo recorde — um milagre corporativo que todos sabiam ter sido operado entre os lençóis do dono da empresa. Ela era eficiente, fria e tinha um prazer sádico em latir ordens.

— Pedro, você disse que estaria aqui às dez e já passou do meio-dia, querido. Cadê o compromisso? — a voz dela era fina, cortante como navalha, enquanto ela parava na minha frente com os braços cruzados, exalando um perfume caro que atacava o meu olfato.

Olhei para o rosto dela, para aquela expressão de superioridade que sempre me apequenava. Senti o anel no meu dedo despertar instantaneamente. O zumbido nos meus ossos não era mais suave; era uma vibração agressiva, um rugido que subia pelo meu braço. A raiva se misturou a um novo tipo de curiosidade perversa.

Enquanto ela continuava a desfiar seu sermão sobre pontualidade, eu não ouvia mais as palavras. Eu apenas olhava para a boca da megera, imaginando como aquela autoridade toda ficaria de joelhos.

A tensão no escritório, que antes era uma barreira intransponível de hierarquia e desprezo, dissolveu-se em um instante. O pensamento atravessou minha mente com a força de um insulto físico:

"Sua vaca, você chegou nesse seu cargo dando mesmo pro chefe? Você deve foder bem, caralho, me conta tudo em detalhes."

O impacto foi visível. A loira parou de falar no meio de uma sílaba, como se um interruptor tivesse sido desligado. A fúria em seus olhos deu lugar a uma confusão súbita, que logo se transformou em uma máscara de seriedade forçada. Ela olhou em volta, conferindo os poucos sobreviventes que ainda restavam em suas baias naquela hora do almoço. O silêncio do escritório era interrompido apenas pelo zumbido do ar-condicionado e pelo latejar rítmico do anel contra o meu osso.

— Na minha sala agora — ela soltou, e o tom não era mais de bronca, mas de uma urgência contida. Ela fez um gesto seco com a mão, sinalizando para que eu a seguisse. — Eu quero falar com você uma coisa... talvez você possa me ajudar.

Ela girou nos calcanhares e eu a segui, observando o movimento apertado de sua saia lápis. O perfume dela, uma fragrância floral cara e agressiva, parecia ter mudado de nota sob a influência do anel, tornando-se algo mais denso, quase almiscarado. Entramos na sala e ela fechou a porta, o clique da fechadura ecoando como o início de um interrogatório — ou de uma confissão.

Ela começou.

Nos corredores, o boato era um só: ela tinha subido na empresa porque tinha dado para o dono. Não fazia sentido uma balconista virar gerente tão rápido, atropelando gente que estava ali há anos. Mas, dentro daquela sala, com o ar-condicionado zumbindo e o cheiro do perfume caro dela pesando no ar, a história que ela me contava era outra. Ela falava com uma paixão real, dizendo que aceitou o cargo de baixo só para mostrar o currículo — e que currículo!

Ela detalhou o dia em que entrou na sala do patrão, como ele gostou das ideias modernas dela e a promoveu a auxiliar, e depois a minha chefe. Falava com os olhos brilhando, emocionada, jurando que nunca tinha chupado ninguém para chegar ali. O que mais a irritava eram os comentários maldosos, porque, como ela mesma me confidenciou baixinho, não teria a menor chance de ela se deitar com um homem. Ela era lésbica.

Olhei para ela, para aquela postura imponente, e um pensamento machista e idiota brotou na minha cabeça, quase como uma piada interna:

"Lésbica, é? Então senta nessa mesa que eu vou te dar a melhor chupada da sua vida e quero ver se você continua sapatão depois."

Foi uma brincadeira involuntária da minha mente, mas o anel no meu dedo não entendeu assim. Ele deu aquele tranco, uma vibração que parecia um choque elétrico percorrendo o osso do meu braço. Ela parou de falar na hora. Soltou um risinho sem graça, desconfortável, como se tivesse ouvido o que eu pensei, mas os olhos dela... eles mudaram. Perderam o foco, ficaram vidrados na mesa de mogno entre nós.

Ela olhou para os lados, para a porta fechada, e o silêncio do escritório vazio parecia pressionar meus ouvidos. Sem dizer uma palavra, ela começou a afastar os papéis e o teclado, limpando o tampo da mesa com as mãos trêmulas. O anel estava queimando agora, um calor seco que fazia meu sangue ferver.

Ela se virou de costas para mim, apoiou as mãos na borda da madeira e, com um movimento que misturava hesitação e uma necessidade cega, subiu na mesa. Deixando subir a saia apertada pelas coxas, revelando a pele clara sob a luz fluorescente, uma peça preta de renda minúscula tampava seu sexo, e tudo ficou mais visível quando magistralmente ela afastou as pernas uma da outra fazendo seu corpo quase engolir o pequeno pedaço de renda translúcida.

— Pedro... — ela murmurou, e o tom de voz já não era o da minha chefe. — Me mostra!