Capítulo 25

Quando as palmas acabaram, o quarto ficou num silêncio daqueles que pesa, sabe? Eu não via a cara do João, mas sentia ele todo tenso atrás de mim, o peito subindo e descendo rápido contra as minhas costas. Aposto que tava vermelho que nem um tomate, sem graça pra caralho, porque ele não falava nada. Alfredo era amigo dele do colégio, daqueles que a gente acha que conhece de cabo a rabo, e até pouco tempo atrás o João nem imaginava isso do amigo. Alfredo tinha entrado nas nossas vidas por uma porta que jamais havia sido aberta, ele conseguiu me reconhecer por um detalhe bobo no lençol e hoje estamos aqui, sentados assistindo ele dançar praticamente de calcinha na nossa frente. Era surreal, mas excitante pra cacete.

— Vamos fazer um show nós dois agora, Alfredo! — falei de repente, levantando da cama com um sorriso malicioso, sentindo o tesão ainda latejando no meu corpo.

— Vamos é? Mas a gente não combinou nada! — ele respondeu, ainda esbaforido, suando um pouco agora, ajustando a peruca de má qualidade que colava os fios finos na testa dele. Ele piscou daqueles olhos enormes de maquiagem, tentando disfarçar o cansaço da dança, mas dava pra ver que tava empolgado com a ideia.

Eu ri, pegando na mão dele e puxando pro meio do quarto. O João tava sentado no chão agora, encostado na cama, com a cerveja na mão e aquela cara de quem não sabe se ri ou se esconde. Eu conhecia ele, sabia que tava gostando, mesmo sem dizer uma palavra. Me sentia à vontade naquela cena toda, como se fosse a coisa mais natural do mundo, e resolvi dançar do jeito mais vadia possível, provocando ele de brincadeira. Alfredo entrou na onda rapidinho, rindo baixinho enquanto a gente improvisava uma coreografia tosca, mas safada.

Comecei rebolando devagar, de costas pro João, balançando a bunda no ritmo da música que ainda tocava baixa na caixinha de som. Alfredo veio do lado, imitando, mas com aquele gingado feminino dele, a saia plissada subindo um pouquinho a cada movimento, mostrando a calcinha branca de novo. A gente se olhava e ria, tipo duas amigas zoando na balada, mas eu sentia o olhar do João queimando nas minhas costas. Virei de frente pra ele, mordendo o lábio, e desci devagar até o chão, abrindo as pernas um pouquinho só pra provocar, sentindo minha calcinha úmida roçando na coxa. Alfredo fez o mesmo, caindo de joelhos do meu lado, e a gente começou a se mexer juntas, como se fosse uma dança sincronizada de putaria.

— Vem, Alfredo, mostra pro João como você rebola gostoso — falei rindo, pegando na cintura dele e puxando pra perto de mim. Ele entrou na brincadeira, rebolando mais forte, a peruca balançando, e eu imitei, roçando meu quadril no dele de leve, sentindo o volume discreto da calcinha dele encostar na minha perna. O João tava lá, olhos fixos, a cerveja esquecida na mão, e eu via o pau dele marcando na bermuda de novo, duro pra caralho. Aquilo me deu mais gás. Levantei um braço e passei a mão no cabelo, arqueando as costas, enquanto Alfredo se inclinava pra frente, quase encostando no colo do João, soprando um beijinho falso pra ele.

— Tá gostando do show, amor? — perguntei pro João, piscando, enquanto dançava mais perto dele, roçando a perna na dele de propósito. Alfredo riu e veio atrás de mim, as mãos nas minhas costas, fingindo que me guiava na dança. A gente improvisava tudo, girando, descendo e subindo, provocando ele com olhares e rebolados. Eu sentia minha pepeca pulsar a cada movimento, molhada pra cacete, e via o João se mexer desconfortável no chão, tentando disfarçar o tesão. Ele não dizia nada, só olhava, mas eu sabia que tava louco pra pular em cima da gente.

No fim, a gente parou ofegante, rindo alto, e eu me joguei no colo do João, dando um beijo na boca dele enquanto Alfredo aplaudia a gente mesmo.

— Gente, desculpa mas eu vou no banheiro me desmontar um pouco, essa peruca é horrível — disse Alfredo, já tirando a peruca e tentando arrumar os fios embolados na mão.

— Ahn não, você tá tão bonita assim! — reclamei, meio brincando, meio séria.

— Bonita? Eu tou maravilhosa, gostosa — respondeu ele rindo alto, dando as costas e rebolando de propósito enquanto caminhava até o banheiro. A saia plissada balançava, a calcinha branca aparecendo de relance a cada passo, e o salto batendo no chão como se fosse um aviso de sua passagem.

João, durante todo o percurso de Alfredo até a porta ser fechada, não tirou os olhos da bunda dele. Nem piscou. Eu vi o pescoço dele engolir seco, vi a mão apertar a lata de cerveja com mais força do que precisava. Quando a porta do banheiro clicou, o silêncio caiu pesado no quarto.

Eu me virei rápido pra ele, ainda sentada no colo, sentindo o pau duro cutucando minha bunda por baixo da bermuda.

— João, responde rápido, você vai querer?

Aquilo saiu da minha boca quase sem pensar, em resposta ao tesão que queimava tudo dentro de mim. Eu estava muito excitada com a ideia. Muito mesmo. A buceta latejava, molhada pra caralho, e minha cabeça só pensava em como seria ver os dois juntos, tocar, sentir, tudo ao mesmo tempo.

— Não sei, não sei o que fazer nem como começar… — ele respondeu baixo, voz tremendo um pouco. — Não sei se eu quero, Vê.

— Se eu começar você vem? Você quer me ver com ele?

João não funcionava muito bem com pressão, eu sabia disso desde sempre. Ele trava, pensa demais, calcula mil cenários na cabeça. Mas eu não tinha tempo. Alfredo estava no banheiro, tirando a maquiagem, tirando a roupa, e a qualquer momento ia voltar. Se não decidíssemos agora, a chance ia embora.

Eu me inclinei pra frente, encostei a boca no ouvido dele e falei bem baixinho, quase sussurrando.

— Amor, olha pra mim. — Peguei o rosto dele com as duas mãos, forcei ele a me encarar. — Eu tô louca de tesão. Tô molhada só de imaginar. Se você não quiser, a gente para agora, vai embora, finge que nada aconteceu. Mas se você tiver curiosidade, se tiver um pedacinho de vontade… eu começo. Eu beijo ele, eu toco nele, eu deixo ele me tocar. E você assiste. Ou entra. Ou os dois. Você decide depois. Mas agora, fala. Sim ou não?

Ele respirou fundo, os olhos passeando pelo meu rosto, depois descendo pro meu colo, depois voltando pros meus olhos. A mão dele subiu pela minha coxa devagar, apertou de leve, como se estivesse testando o próprio corpo.

— Se você começar… eu fico olhando. — A voz saiu rouca, quase engasgada. — Mas se eu quiser parar, a gente para. Combinado?

— Combinado. — Sorri, mordendo o lábio. — E se você quiser participar… você entra. Sem pressão. Só vem quando quiser.

Ele assentiu devagar, ainda sem graça, mas com um brilho diferente nos olhos. Tipo medo misturado com fome. Eu conhecia aquele olhar. Era o mesmo que ele fazia quando a gente ia experimentar algo novo na cama e ele ficava nervoso, mas louco de curiosidade.

Levantei do colo dele, dei um beijo rápido na boca, sentindo o gosto de cerveja e tensão.

— Então fica aí.

Levantei do colo dele devagar, dei um beijo rápido na boca sentindo o gosto de cerveja misturado com tensão e corri pro banheiro. A porta estava aberta, luz forte acesa batendo no azulejo. Alfredo estava lá dentro de costas pro espelho grande, tentando domar o cabelo bagunçado com os dedos e limpando os borrões pretos nos olhos com um algodãozinho úmido. O cheiro de removedor de maquiagem enchia o ar pequeno do banheiro.

Ele levou um susto leve quando me viu invadir o espaço de repente, o corpo dando um pulinho curto, mas logo riu, balançando a cabeça feliz em me ver.

— Olha esse delineador é horrível, Virgínia, borrou tudo! — reclamou, mostrando o algodão manchado de preto enquanto tentava consertar o estrago no canto do olho.

Eu nem olhei pro espelho. Nem pro algodão. Meu coração batia forte demais, o tesão e a ansiedade misturados fazendo minha voz sair mais alta do que pretendia.

— Alfredo, esquece isso, me responde agora — falei puxando ele de frente pra mim como se fosse uma intimação policial, e era mesmo. Segurei firme nos ombros dele, obrigando ele a me encarar. — Você pegaria o João hoje?

Soltei na lata, muito rápido, sem filtro. Alfredo ficou inteiro bege, a cor sumindo do rosto num segundo. Os olhos se arregalaram tanto que pareciam ocupar metade da cara. O vidrinho de removedor escorregou da mão dele, quase caindo no chão, e ele conseguiu segurar no último instante.

— Você tá maluca? — a voz saiu fina, quase um sussurro chocado.

— Quer ou não? — insisti nervosa, apertando os ombros dele um pouco mais forte. Se pudesse sacudia ele inteiro pra ver se saía logo um sim ou não definitivo.

— Mas assim do nada? De onde saiu isso? — ele riu sem graça, um riso curto e tremido, daqueles que saem quando a pessoa está desesperada pra ganhar tempo.

A pergunta era só enrolação. Ele começou a gaguejar coisas desconexas, palavras emboladas que nem faziam sentido: “tipo… eu… sei lá… o João… mas…”. Nervoso demais, mexia no algodão como se aquilo fosse uma âncora, torcendo o tecido entre os dedos. Passava a mão livre no cabelo bagunçado, olhava pro lado pro azulejo, voltava pra mim, respirava fundo como se o ar tivesse acabado. O peito subia e descia rápido, o rosto corando de novo, vermelho subindo do pescoço até as orelhas.