Capítulo 2
Eu bem pegaria ele rindo, mas eu era péssima em dar mole. Sabia que, pela lógica, ele nunca iria querer nada comigo. Eu era nova demais, talvez sem graça demais e doida ainda por cima. Mas, ainda assim, cada vez que ele olhava pra mim, a periquita acendia.
Enfim, já que apresentei vocês ao Jonas… é hora de contar como foi a minha primeira investida nele.
Não riam, por favor.
A gente estava no “lolzinho da galera”, e eu quase não falava. O coração apertado, remoendo a coragem que não vinha de jeito nenhum pra chamar ele pra sair. Foi pelo Discord que a conversa começou:
— Ô, garota… o que tu tem? Tá quieta hoje. — a voz dele soou no fone, firme e distraída.
— Nada demais… tô pensando numa coisa. — respondi, com aquele nó na garganta.
— Então desembucha. Tu tá perdendo lane pra minion, e já vem barão. Bora, anda.
Eu obedeci, mas a verdade é que eu só pensava em dar para alguém. Respirei fundo e mandei:
— É que… eu tô gostando de um cara. Ele é mais velho. Como eu chego nele? — joguei, rezando pra ele se tocar que era com ele mesmo.
Ele riu.
— Ué, fala com ele, porra. Se fosse comigo, eu ia querer que a pessoa falasse.
Meu estômago virou.
— Mas… e se eu levar um toco? Fica feião, não fica?
— Mó vergonha mesmo… — ele concordou, como se não tivesse ideia do que eu estava tentando dizer.
O silêncio tomou conta, só os cliques nervosos ecoando no fone. Um jungle ainda tentou atrapalhar os dois, como se até dentro do jogo tivesse gente querendo se meter.
Respirei fundo, o coração martelando:
— Então… posso te fazer uma pergunta? Mas seja honesto comigo.
— Sim, vou tentar! — ele respondeu rindo.
— Tu me acha atraente? Assim… pra minha idade, sei lá.
Demorou só um segundo, mas pra mim pareceu uma eternidade.
— Pô, eu acho tu gata.
Senti o rosto inteiro queimar. Fiquei vermelha, boba, feliz de um jeito que não sei nem explicar. A barriga revirava, e naquele instante eu tive certeza: era ele que eu queria.
— Eu só queria que ele chegasse e viesse falar comigo, poxa… — soltei, quase num sussurro.
Eu sempre fui péssima em mentir, mas eu conhecia essas artimanhas para eu não apanhar da vida o tempo todo. Eu estava falando dele, mas só ele que não sabia disso.
— Sei lá, talvez ele tenha namorada… ou ache que tu não dá condição. — ele respondeu, jogando de leve.
— Mas eu dou… — disparei, firme.
Houve um silêncio rápido do outro lado. Então ele riu.
— Dá mesmo?
— Dou!
— Dá o quê? — a voz dele carregada de malícia que eu não percebi.
— Condição!
Eu jamais pegava as piadas.
Tomaram o nosso barão porque o top solo não quis descer e a gente ficou puto. Decidimos largar o jogo ali mesmo. Foi então que ele me soltou, do nada:
— Ei, vem de zap! Pega meu número, vou sair aqui. Me chama lá.
— Tá… — respondi, tentando parecer normal, mas por dentro estava tremendo.
Eu sabia bem o que significava esse “vem de zap” na língua do jovem moderno. Será que ele tinha entendido a minha indireta? Se fosse isso, eu tinha acabado de marcar uns pontos com a minha psicóloga.
Desliguei tudo, já era tarde. Dei boa noite pro pessoal de casa, escovei os dentes, fiz meu xixi e fui pra cama com o coração disparado. Peguei o celular e adicionei o moço.
Quica: Oi, é a Quica!
Jonas: E aí!
Ficou um silêncio estranho. Eu, nervosa, mandei sem pensar:
Quica: É aqui que as moças vêm quando querem ver um nude?
Jonas: kkkkk provoca pra tu ver… se tua irmã souber que a gente tá aqui, ela me esgana, tu sabe, né?
Quica: Sei… tu já ficou com ela?
Jonas: Hummm… sim. Mas morre aqui, tá?
Eu não sabia o que puxar de conversa. Não queria falar de jogo, nem da minha irmã, muito menos podia falar da minha nova obsessão, que era dar para alguém. Se ele dissesse que eles estavam namorando, aquilo ia me matar por dentro. Mas foi o Jonas quem puxou de novo:
Jonas: Aí, vou te ajudar. Tira uma fotinho agora, de rosto. Bonitinha, cabelo meio desgrenhado, cara de sono. Manda pra ele assim: ‘sem sono, tá fazendo o quê?’
Eu ri sozinha. Claro que jamais mandaria uma foto dessas pra um cara qualquer, um hipotético que nem sabe que eu existo. Era a ideia mais idiota do mundo.
Mas era pro Jonas… e isso mudava tudo. E se ele queria ver ver...
Levantei da cama, ajeitei a franja, testei mil ângulos, usei filtros. Tirei um milhão de fotos até escolher uma.
Quica: Assim? Essa tá boa? — escrevi, com o coração disparado, antes de apertar o enviar.
Gente, eu tinha maldade, mas não tanta assim. Queria engabelar o rapaz, só que nem percebia que era ele quem estava me engabelando… ou talvez eu soubesse, e estivesse gostando disso. Mas, não. Eu definitivamente, não sabia.
A foto que mandei era de camisola. Nada demais: tecido estampado de bichinho, inocente até. Mas eu estava sem sutiã. O detalhe, claro, era que os peitinhos marcavam no tecido, e eu sabia muito bem que ele ia notar. Reparei antes de mandar, e mandei mesmo assim.
Jonas: Aí, tá vendo? Como é que o cara não vai te achar bonita assim? Uma beleza natural…
Meu peito apertou. Eu sorria sozinha na cama, sentindo a excitação misturada com nervoso.
Continua…
Eu estava deitada na cama, bunda pro alto, celular na mão. Criava coragem pra dizer mil coisas, mas nada útil saía. Então resolvi seguir naquela linha.
Quica: Ahn, sei lá… tô meio bolada comigo. Você é meu amigo, disse que eu sou bonita… mas eu não me acho gostosa, sabe?
