Capítulo 16

Eu arregalei os olhos, surpresa com a naturalidade dela.

— A gente jurava que você era sapatão, cara!

Ela virou pra mim rápido, franzindo a testa.

— Como assim? Nada a ver!

— Ué, ninguém nunca te viu com homem, porra! — falei rindo, como se fosse a conclusão óbvia.

Amanda balançou a cabeça, bufando.

— E porque vocês nunca me viram com homem, logo eu sou sapatão?

Fiquei em silêncio por um segundo. Dei risada, rendida.

— É… falando assim, você tá certa.

O jeito dela me desconcertava: direta, sem floreio, mas sem se defender demais. Era como se ela não tivesse medo do rótulo, mas também não tivesse pressa de se encaixar em nenhum.

— E tu? — Amanda devolveu, me olhando firme.

— Eu não, né amiga… eu gosto de rola. — respondi rindo.

— E daí? Quero saber se você gosta de mulher… — ela insistiu, seca.

Eu respirei fundo, meio sem jeito, mas deixei escapar:

— Ah… eu tenho meio que curiosidade. Eu gosto de peito. — falei, e caí na gargalhada logo em seguida, tentando aliviar.

Amanda arqueou a sobrancelha, um meio sorriso no canto da boca.

— Peito? Então tu deve me manjar direto, né? — disse, balançando os dela na minha frente.

Não tinha como não reparar. Ela era magrela, branca demais, daquele tipo que parecia passar tempo demais em bibliotecas, mas com um contraste marcante: o cabelo preto, naturalmente escuro, ela ainda tingia mais, deixando o visual quase gótico. E no meio daquele corpo fino, os peitos dela chamavam atenção de qualquer um. Muito grandes pro tamanho dela, firmes, empinados, pesando contra a camiseta larga que usava.

Eu dei risada, mas resolvi ser honesta:

— Eu confesso que já dei umas conferidas sim. Tu tem peito bonito.

Amanda suspirou, como se aquilo fosse só incômodo.

— Ahn, não… eu queria era tirar um pouco. Dói as costas, e é grande demais. — reclamou, colocando as mãos nos próprios seios e apertando como se pesassem de verdade.

Eu fiquei olhando a cena, meio sem saber se ria, se comentava, ou se simplesmente continuava encarando.

— É tão pesado assim? — perguntei, meio debochada.

— É, cara… aperta. Vem, pega aqui. — Amanda falou, colocando as mãos por baixo, oferecendo.

Aquilo não me pareceu estranho. Entre amigas, já tinha rolado de apertar peito, brincar, sempre com aquela desculpa de “curiosidade”. Não teria maldade… se eu não gostasse tanto de peito. Só que eu gostava. E muito.

Estendi a mão e toquei.

Na hora senti o peso. Era bom de pegar, firme, cheio, macio na medida certa. A palma da minha mão afundava e encontrava resistência, como se fosse feito de uma mistura de carne e almofada. O calor da pele passava pela camiseta fina, e quando apertei mais, os dedos contornaram a lateral, sentindo a redondeza perfeita.

— Caralho… — escapei, rindo nervosa. — É gostoso de segurar mesmo.

A textura era viciante: quando eu soltava, ele voltava no lugar, empinado, como se desafiasse a gravidade. Quando apertava mais forte, sentia o bico duro contra a palma, mesmo por baixo do tecido.

Amanda me olhava séria, mas não afastava. Pelo contrário, parecia observar mais minha reação do que o próprio toque.

E eu ali, fingindo naturalidade, mas por dentro já começava a ficar mole.

E aqui a Quica do futuro precisa deixar uma coisa bem clara: eu estava de maldade, sim. Muita maldade. Eu tinha gostado demais de agarrar nas tetas dela. O peso, a textura, a resposta do corpo dela. Só tinha medo do que poderia acontecer dali pra frente. Mas dentro de mim eu tava doida, curiosa pra ver até onde aquilo podia ir.

Se a maluca resolvesse me beijar, eu não recuaria nem por um segundo. Eu enchia ela de beijos. Transar? Transar ainda não. Até aquele momento, isso nem passava na minha cabeça. O que queimava em mim era outra coisa: a curiosidade, a provocação, o foguinho.

Amanda ria baixo, parecia se divertir. O rosto sério, mas vermelho nas bochechas, denunciava o que ela tentava esconder. Eu ria também, mas o meu riso era fingimento. Era a cortina que eu usava pra esconder o foguinho que me atiçava por dentro.

Até que ela soltou, de repente, do nada:

— Quer me beijar? — disse seca, como quem joga uma carta final.

Não deu tempo de pensar. Aliás, eu nem pensei nada. Foi automático.

Eu beijei Amanda.

A segunda pessoa que eu beijava naquele dia.

E dessa vez, diferente do beijo abafado do Jonas, a sensação era outra. Os lábios da Amanda eram macios de verdade, carnudos, cheios, com uma delicadeza que me desarmou na hora. Não havia a pressão bruta, não tinha barba raspando nem língua enfiada sem jeito. Era um toque leve, suave, que parecia roçar mais do que empurrar.

A boca dela se movia devagar, quase tímida, como se tivesse medo de errar. E isso deixava o beijo mais doce ainda. Os lábios se encontravam e se separavam em intervalos curtos, como se a gente tivesse o tempo inteiro do mundo. A língua dela encostava na minha só de leve, deslizando devagar, molhando, explorando sem pressa.

Era macio, delicado, um carinho em forma de beijo. Eu me peguei respirando fundo no meio, porque parecia que minha boca tinha esquecido como era beijar desse jeito: leve, feminino, sem força, só prazer.

Eu ri baixinho, ainda colada nela, e brinquei:

— Humm… isso é bom. Quero ser sapatão também.

Amanda deu um sorriso rápido contra a minha boca, como se estivesse se divertindo comigo, mas sem parar o beijo. A respiração dela estava quente, entrecortada, misturada com a minha.

— É… tá sendo melhor do que a minha última vez. — ela murmurou, quase como uma confissão, os lábios ainda roçando nos meus.

— Amanda? — chamei baixinho.

— Oi… — respondeu, séria, sem recuar.

— Posso passar a mão no seu peito? — soltei, sem pensar muito, com a voz trêmula.