Capítulo 17
Ela me encarou firme por alguns segundos, séria, os olhos escuros fixos nos meus. Eu prendi a respiração, nervosa, achando que tinha falado besteira.
E então, devagar, vi o rosto dela se abrir num riso contido, que virou uma gargalhada curta, inesperada.
— Claro que pode. — disse, ainda rindo, como se não acreditasse que eu tivesse pedido daquele jeito.
Meu coração disparou, e antes mesmo de pensar direito, minha mão já começava a subir em direção ao peito dela. Amanda não recuou. Pelo contrário, abriu um espaço com o corpo, como se estivesse me convidando.
Sem perceber, subi em cima dela. Me ajeitei sentando na cintura dela, as pernas de cada lado, e voltei a beijá-la. O beijo, que antes era leve e tímido, ficou mais quente, mais faminto. A língua dela se encontrava com a minha em movimentos rápidos, molhados, e o ar entre nós começou a faltar.
E então aconteceu: comecei a me esfregar. Nem percebi quando meu quadril começou a deslizar contra a barriga dela, num movimento involuntário, desesperado. A fricção era deliciosa, um atrito quente que me arrancava gemidos baixos sem que eu percebesse.
Enquanto isso, minha mão finalmente alcançou os peitos dela. Apertei por cima da blusa, primeiro com cuidado, depois com mais firmeza. Eram grandes, pesados, mas macios. O bico se enrijeceu sob a palma da minha mão, e sentir aquilo me deu uma onda de tesão absurda.
Mas foi aí que meu corpo me lembrou da realidade. A cada esfregada mais forte, eu sentia a buceta arder. A dorzinha latejante, resto do que tinha acontecido mais cedo com o Jonas, começou a incomodar. O prazer estava lá, mas vinha misturado com esse ardor irritante, como se eu tivesse passado do ponto.
Minha respiração descompassou. Diminuí o ritmo devagar, tentando conter o fogo. O quadril parou de se esfregar tanto, e minha mão relaxou no peito dela, como se tivesse medo de ir além.
Na minha cabeça, um turbilhão: “Será que tô indo rápido demais? Será que exagerei?”
Amanda me olhava séria, a boca vermelha do beijo, respirando fundo, mas não dizia nada. Só esperava.
Depois daquilo, o ritmo entre mim e Amanda diminuiu. Mas a gente ficou a tarde toda juntas, aos beijos. Sempre que esquentava demais, eu recuava. Não que ela não tivesse tentado ir além — tentou sim, dava pra ver — mas eu não achava legal, não sabia o que fazer, não tinha ideia de como conduzir. Ainda assim, posso dizer: estava gostoso demais. O beijo dela era viciante, e aquele “quase” constante só me deixava mais elétrica.
Quando deu o meu horário, me levantei e fui embora. Me despedi dela com um sorriso bobo no rosto, meio sem acreditar que aquilo tinha acontecido.
À noite, já em casa, o celular não tocou. Eu queria mandar uma mensagem pra ele, mas estava morrendo de vergonha. Não sabia o que dizer. E eu boba, ainda acreditava nessa coisa de “rosas no dia seguinte”, achava que ele quem tinha que vir falar comigo, perguntar se eu tava bem, mandar um “pensei em você”.
Mas o mundo é cruel.
Na hora do jantar, sentei à mesa com meus pais. Comida servida, silêncio de rotina, até que eu soltei:
— Mãe, cadê a Catarina? — perguntei, tentando soar casual.
— Saiu com aquele namoradinho dela… — respondeu minha mãe, cortando a carne.
— Ele não é namoradinho dela, ela não vai gostar de você falando assim. — meu pai corrigiu, sem levantar os olhos do prato.
Meu garfo caiu do lado do prato. O coração deu um pulo.
— Quem é esse? — perguntei, quase sem voz.
— Jonas. — meu pai respondeu, simples. — Acho que é Jonas o nome dele. Aquele que tava aqui outro dia…
O mundo parou. Era ele. Jonas. O cara que tinha tirado minha virgindade naquela manhã. O mesmo que, naquele exato momento, estava na rua com a minha irmã.
Meu estômago revirou.
Minha mãe me olhou, e eu pensei na hora: fudeu. Ela sempre sacava tudo, nos mínimos detalhes, como se lesse meus pensamentos. Eu só queria ver qual seria o papo assim que meu pai levantasse da mesa e colocasse o prato na pia.
Fiquei quieta a janta inteira, fingindo concentração no prato, enquanto os dois conversavam sobre uma casa que estavam pensando em comprar. Cada palavra deles parecia distante, abafada pelo zunido dentro da minha cabeça.
Quando o jantar terminou, meu pai se levantou, carregou o prato até a pia e saiu da cozinha. Bastou a porta bater pra minha mãe atirar, sem dó:
— Agora me explica essa cara, dona Érica!
Quase engasguei.
— Tô com cara de nada… — murmurei, sem coragem de encarar.
— Você tá gostando do menino? — ela foi direto ao ponto.
— Que menino? — tentei me fazer de desentendida.
— Do Jonas. O bonitinho.
Senti o coração bater no pescoço. Respirei fundo e soltei rápido:
— Não, mãe. Ele é meu duo de LoL.
— Duo de quê? — ela franziu a testa.
— De LoL. — repeti, mais baixo.
— E o que é isso?
— Um jogo, mãe. Ele é meu par no jogo… — expliquei rápido, enrolando.
Ela apoiou o queixo na mão, me olhando com aquela cara de quem não engole desculpa fácil.
— Tá… mas você tá gostando dele?
— Não, mãe! Não inventa… — retruquei, tentando soar firme.
— Então por que essa cara de quem comeu coisa azeda?
— Tô com cara nenhuma… — insisti, desviando o olhar.
Ela suspirou fundo, séria:
— Filha, eu acho que ele tá namorando sua irmã. E eu não quero ver vocês duas brigando por causa de garoto. Além do mais, ele é muito velho pra você, tá?
Aquela frase me atravessou inteira. Mas eu não podia deixar escapar nada. Forçando um riso nervoso, respondi:
— Tá… mas eu não quero ele não, mãe. É velho. — menti descaradamente.
Por dentro, eu ardia de raiva e vergonha.

