Capítulo 21

O lugar tinha móveis, tudo já montado, mas ainda meio encaixotado, com sacolas largadas em cantos diferentes. Fomos até a cozinha e eu mostrei onde ficava o danado do registro da água. Escondido, claro, obra de português.

Nisso, o interfone tocou. Ele atendeu, rápido.

— É a pizza. — falou, desligando. — Pedi uma pizza, você não quer ficar e comer comigo?

Querer, eu queria. Pegaria ele fácil, sem pensar duas vezes. Mas a consciência cutucava: “nem conheço o cara direito, entrar assim na casa dele, comer pizza do nada…”

— Poxa, nada a ver. Nem te conheço. — tentei recusar, mas fraca, quase me arrependendo na mesma hora.

Ele respondeu de um jeito que me matou:

— Se o motivo for esse, eu tô ferrado. Você é a primeira pessoa que eu converso nesse prédio até agora!

E me olhou como quem pedia, de verdade, que eu ficasse.

“Pronto. O universo quer que eu fique.”

E eu fiquei.

A gente sentou e comeu a pizza juntos. Ele não tinha pedido nada pra beber e, do nada, colocou na mesa uma garrafa de vinho do porto. Eu nunca tinha provado aquilo. Era docinho, encorpado, diferente. E eu amei.

Se ele soubesse a minha idade, talvez nem tivesse me oferecido. Ou talvez tivesse, porque… safado daquele jeito, devia saber. Eu ali, pousando de espertalhona, fingindo maturidade, mas no fundo não enganava ninguém.

O papo foi rolando solto. Ele falava da vida, contou que tinha sido chamado pra uma empresa, que o apartamento ainda tava vazio porque dividiria com um amigo que só chegaria semanas depois. Eu ouvia, perguntava, ria. Não sei se era o vinho me soltando ou a presença dele que deixava tudo mais leve, mas por um tempo eu até esqueci que tinha descido do meu apartamento praticamente no cio.

Só que, claro, o vinho bateu. Eu não tinha costume de beber. E com cada gole, minha língua ficava mais solta. Falava pelos cotovelos, me atropelando em histórias, e ele me ouvia paciente, com aquele sorriso de canto que me deixava vermelha.

Até que ele inclinou o corpo pra frente, os olhos presos nos meus, e soltou:

— Mas, Quica… me conta… você namora?

Ri nervosa, quase engasguei no gole.

— Eu? Quem me dera! Ninguém me quer. Eu sou um desastre! — falei, rindo alto, meio debochada, mas com aquele fundo de insegurança.

— Não fala isso… — ele respondeu sério, os olhos descendo rápido pros meus lábios antes de voltar pro meu rosto.

— Mas é verdade. — insisti, mordendo o canto da boca.

Ele respirou fundo, sorriu pequeno e disse baixo:

— Eu acho você bonita. Eu ficaria com você… se você me desse mole.

O ar saiu dos meus pulmões. O coração batia como um tambor.

— Ficaria? — perguntei, a voz falhando, surpresa e provocadora ao mesmo tempo.

“Ô meu Jesus…”

E o homem se esticou pro meu lado e me deu um beijo.

Primeiro veio o calor da boca dele, firme, úmida, com aquele gosto inconfundível de vinho. Depois, a respiração alcóolica, misturada com o cheiro de pizza recém-comida. Eu achei aquilo engraçado — e estava achando tudo engraçado naquela noite. Mas quando fechei os olhos, deixei de pensar. Meu corpo ficou mole, o mundo foi se apagando, distante, e eu só derretia, aérea, entregue ao toque da boca dele.

A mão dele veio no meu rosto, acariciando devagar. Pesada, quente, firme. Cada vez que os dedos dele deslizavam, eu sentia um formigamento bom, que descia do rosto até a barriga, me deixando leve e pesada ao mesmo tempo. Juro, eu poderia dormir daquele jeito, nos braços dele, e nunca mais acordar.

Mas a consciência ainda dava sinal. “Vai embora. Esse homem é estranho. Ele vai querer te comer. Você tá dentro da casa dele. É perigoso.”

A razão gritava, mas a vontade era mais alta. “Eu queria dar. Queria agora. E ele era lindo. Lindo de morrer.”

Ele me puxou pro colo dele, com força, e eu fui. Montei sem pensar, sentindo a pressão da coxa dele contra minha buceta. O corpo dele era quente, sólido, maior que o meu em tudo.

A mão pesada subiu pela minha barriga, lenta, quase arrastando, até meu peito, e eu estremeci. Quando deslizou pro meu pescoço, meio que apertando, firme, quase um domínio, eu quase delirei. Meu corpo reagiu antes da minha cabeça: gemi baixinho contra a boca dele, enroscando as mãos nos ombros largos, sem coragem de soltar.

"Meu Deus… eu vou dar pra esse homem aqui e agora."

O local onde ele estava sentado era uma banquetinha de cozinha, dessas altas, sem encosto. O beijo ficou apertado, nossos corpos colados, o barulho molhado das bocas se chocando era ensurdecedor. As línguas se enroscavam e brigavam, quentes, aceleradas, e eu sentia minha respiração ser sugada junto com a dele.

De repente, num movimento brusco, ele enfiou as mãos pelas laterais da minha saia. Forte, decidido. Em um só golpe, puxou o tecido até a cintura, me deixando praticamente semi nua diante dele. O choque me fez arfar alto, mas o tesão não deixou espaço pra vergonha.

O ar frio da cozinha bateu direto entre minhas pernas, contrastando com o calor que queimava ali embaixo. Eu tremi, mas não recuei.

Me levantei num impulso, o coração disparado, e me acomodei de novo, agora de frente pra ele, montada sobre o colo. Senti o volume duro dele pressionar contra mim, através da calça, me arrancando um gemido baixo. Os olhos dele me devoravam. As mãos, ainda firmes na barra da saia, agora subiam pela minha coxa nua, como se quisessem me explorar inteira.

"Fudeu… esse vai me comer bem pra caralho."

Ele apertou minhas bundas com força, firme, como se quisesse me moldar na palma da mão. E já procurava o meio, os dedos avançando, pressionando a fenda por cima da calcinha. Eu me sentia encharcada, só então me dei conta do quanto estava molhada.