Capítulo 25

Eu lembrava da sensação: foi como se tivesse dado uma mijadinha no meio do gozo, tanto que meu corpo travou todo, apertando o pau dele dentro de mim, e a coisa ficou mais absurda ainda. O que saiu não foi muito, foi tipo quando você tá no vaso, faz xixi e, no fim, vem aquele jato involuntário. Só que acompanhado de um orgasmo que parecia rasgar minha alma.

Eu não ia colocar aquilo na boca, claro… mas fiquei encucada.

Atrás, entre as pernas, tinha outra coisa. Passei o dedo, brinquei, senti a textura: branquinho, viscoso, cheiro morno, muito próprio. Levei até a boca. Tinha gosto de pau, meio salgado.

“Que diabos é essa porra… e por que, caralho, eu sinto o cheiro disso e fico com tesão?”

E sim. Eu lambi. Lambi a porra dele que estava no meu dedo. E descobri ali, sozinha naquele banheiro, que eu queria muito que alguém gozasse na minha boca. O gosto era bom. Muito bom.

Depois dessa pequena “pesquisa científica”, não tinha como eu tomar banho. Se eu aparecesse em casa cheirando sabonete, minha mãe ia sacar na hora. Liguei o chuveiro só pra enganar e fiz o melhor que pude: lavei o que deu, sequei, ajeitei o cabelo.

Na hora de sair, outro dilema.
“Eu saio pelada do jeito que entrei… ou saio de roupa? Se eu sair pelada, quer dizer que eu tô me oferecendo. E se ele já tiver vestido, eu vou parecer emocionada. Agora, se eu saio de roupa e ele tá pelado, eu vou ser a sem graça.”

Fiquei ali, debatendo comigo mesma. Mas a vergonha de andar pelada pela casa de um cara que eu conhecia há menos de uma hora falou mais alto. Vesti tudo e saí.

Quando eu saí, fui direto pra cozinha, ajeitando a roupa como se nada tivesse acontecido. Ele já estava lá, parado na porta me esperando. Claro, queria usar o banheiro. Passou por mim, mas antes me segurou num abraço apertado. Não foi só encostar o corpo, foi abraço de verdade, desses que eu não gosto, mas sei que é uma demonstração de carinho. Ele me deu um beijinho rápido na boca, e ainda sorriu. Eu juro que aquilo me deixou mole. Não, não mole de tesão, povo tarado! Mole de coração quentinho mesmo. Achei fofo. Depois de tudo que a gente tinha feito, aquele gesto bobo foi o que me desmontou.

Ele entrou no banheiro e eu fiquei na cozinha. Olhei em volta: parecia que tinha passado um furacão. Coisa caída, cadeira arrastada, pratos largados. Na mesa, um copo quase cheio de vinho tinha virado na toalha.

“Essa aqui já era… pra tirar essa mancha vai ser um sacrifício!” pensei, revirando os olhos.

Peguei a toalha e coloquei de molho na pia. Aproveitei e lavei os pratos e talheres que a gente tinha usado, arrumei as coisas espalhadas, dei uma ajeitada geral. Eu ri sozinha, na minha casa era uma guerra para lavar o meu próprio copo de água e aqui eu estava pagando de Maria.

Fiquei ali, enrolando, mexendo nas coisas, até ouvir a descarga e a porta do banheiro abrindo. O coração acelerou de novo. Eu não sabia se ele ia voltar me abraçando, me expulsando ou querendo mais uma.

Quica — a voz dele veio do corredor, molhada ainda do vapor do banho rápido.

— Tou aqui na cozinha, arrumando as coisas.

— Não, deixa isso aí, depois eu limpo.

— É rapidinho, não custa nada.

Ele se aproximou, e quando chegou atrás de mim ajeitou a alça da minha blusa que tinha escorregado pelo ombro. Depois me deu um beijinho na cabeça, leve, quase inocente.

— Obrigado, tá, lindinha?

Eu ri, boba, toda mole.
“Quica ganhou biscoito, tralálálá!”

Ele me olhou sério e mandou:

— Eu achei que você não estaria aqui depois de ter me usado, moça!

Parei, olhei bem pra cara dele, tentando entender se era ironia, piada, ou se ele estava falando sério. A gente mal tinha se conhecido, não dava nem uma hora que a gente tava junto e já tinha trepado como se fosse casal brigado.

— Que cara é essa? Você não faz isso? — ele insistiu.

— Claro que não! — respondi, rindo sem graça. — Você homem que deve fazer isso direto, né?

Ele deu um sorrisinho de canto, como quem não confirma nem nega.

— Claro que não, calma, é brincadeira. — ele riu baixinho, me fez mais um carinho no braço e depois no cabelo. — Tá tudo bem com você? Eu te machuquei?

Na hora eu lembrei da primeira vez, como tinha ardido, queimado, aquela sensação de areia raspando. Dessa vez não era bem dor… era mais como se eu tivesse tomado um murro na ximbica. Dolorido, pesado, latejando. E lá dentro, bem no fundo, atrás do umbigo, eu sentia umas pontadinhas estranhas.

— Tou sim… — respondi, quase escapando um “eu aguento pica, moço, fica tranquilo”.

— Que bom… — ele suspirou, se encostando na pia. — Essa coisa foi meio doida. A gente vai se ver de novo?

Eu olhei pra ele. Por dentro a resposta veio na hora: “Meu filho, se tu me comer assim todo dia eu venho morar aqui.” Mas como sempre, minha língua atropelou meu cérebro e saiu foi outra coisa.

— Você tem namorada?

— Ihhh… e se eu tiver? — ele levantou uma sobrancelha, rindo safado.

— Olha lá, eu não quero apanhar na rua, não! Nunca mais venho aqui.

— Eu não tenho namorada, fica tranquila. — falou sério, me olhando nos olhos.

Aquele olhar me desmontou.

Enquanto a gente terminava de arrumar a cozinha, meu telefone vibrou com mensagens. Gelei na hora, podia ser minha mãe. Peguei rápido: era só perguntando se eu ia jantar. Respondi que não, que já tinha comido pizza.

“E salsichão, tou de barriga cheia” completei na mensagem, e caí na risada sozinha, como uma retardada. Péssima coisa pra escrever depois do sexo, mas minha cabeça funcionava assim.