Capítulo 29
Eu não fazia ideia do que aquele abraço significava, mas eu gostava. Muito.
Mais tarde, quando a gente já estava se arrumando pra sair, estávamos no quarto e minha irmã abriu a bolsa dela e, antes mesmo de cruzarmos a porta, me enfiou uns três pacotes de camisinha na mão — cada um com quatro unidades. Eu fiquei olhando aquilo assustada.
— Cat, eu não vou pra uma suruba, não! — falei com cara de pânico.
— Escuta… você sabe colocar isso? — ela perguntou séria.
— Nunca coloquei. Eu não tenho pau, quem tem que saber é ele.
— Meu Deus… — ela revirou os olhos. — Olha, tem que trocar a camisinha sempre, entendeu? Entre uma e outra. Tu manda ele trocar pra não correr o risco de arrebentar. E nada de reaproveitar, ouviu?
— Uhum… — respondi meio encolhida. Na real, ela achava que eu era retardada, mas era verdade: eu não tinha ideia de como colocar uma camisinha num cara.
Ela respirou fundo, olhou pra mim de cima a baixo e soltou:
— Essa boceta tá limpa?
— Tá me chamando de porca? — retruquei, já puta.
— Anda, espirra isso aqui nela. — ela me entregou um vidrinho.
Peguei e li a etiqueta.
— Ahhn… isso é um perfume de pepeca?
— Sim, ajuda muito. Ainda mais quando você fica muito tempo fora de casa. Não deixa você desprevenida.
Eu me virei de costas, baixei a calcinha com pressa e fiquei com o spray na mão.
— Como usa isso? É dentro dela?
— Não, sua doida. Borrifa nela ou na calcinha. Eu prefiro na calcinha, mas você que sabe.
Baixei a calcinha um pouco mais e dei umas borrifadas diretas
— É cheirosinho isso.
— Uhum… — ela estreitou os olhos, me analisando. — E vem cá… você tá depilada pelo menos?
— Eu aparo na máquina — respondi na defensiva. — Tiro os matos que saem da calcinha e pronto.
Eu nunca fui caprichosa, mas também não sou um bicho peludo. Nem deixo cabelo em volta do furico, se é isso que você quer saber.
Ela caiu na gargalhada.
— Menos mal, né? Já pensou o mico? O cara tira a calcinha e parece que entrou na selva?
— Vai à merda, Cat!
Eu tinha combinado com o Galuco o horário, estávamos nos falando durante os preparativos. Minha irmã encheu o saco querendo conhecer ele, mas se eu falasse ela ia chiar e não ia caguetar para minha mãe, a Cat tinha limites estranhos.
Cruzamos a porta nos despendindo da mãe e do pai, ouvindo os avisos de juízo e fomos corredor do prédio afora.
— Cat, toda vez que eu chupo ele, o cara manda eu parar. Por que?
Ela ficou vermelha, eu peguei ela de surpresa pelo visto, ela colocou a mão na testa fechou os olhous respirou rindo e soltou
— Quica, você solta umas do nada — ela pensou, apertou o botão do elevador — sei lá, seu boquete é ruim pra caralho, pode ser isso!
— Ou muito bom, e eles não conseguem segurar. — arrisquei.
— Se você tivesse certeza não estaria me perguntando, sua putinha. — Cat apertava os botões do elevador sem parar, tentando fazer a porcaria chegar mais rápido. — Por que você não conversa com ele? Conversar é sempre a melhor opção.
— Não dá pra conversar com a rola dele na minha goela! — retruquei de supetão.
Ela se escangalhou de rir, quase se dobrando.
— E é pauzudo?
Fiz um gesto com a mão, mostrando o tamanho.
— Médio, acho. Mas é cabeçudinho e bonito. Gostoso.
— Piranha. — ela riu, satisfeita, como se estivesse orgulhosa de mim.
Quando as portas do elevador abriram, eu nem entrei. Me virei pro outro lado.
— Eu vou de escada. É aqui no prédio.
Na verdade, eu não queria dizer o andar de jeito nenhum. Vai que ela descobria mais rápido quem era o sujeito? Na minha cabeça confusa eu já pensei nela perguntando para o porteiro quem era o rapaz novo que chegou no prédio e o porteiro pensando “Olha essazinha aí, chegou carne nova e ela já quer um pedaço, é tudo puta!
Desci pela escada de incêndio, os passos ecoando, tentando segurar o riso nervoso e já enviando uma mensagem para ele “Eu estou chegando, me espera na porta”. Meu coração batia na boca, eu estava agitada, a ansiedade de felicidade estava nas alturas. Diminui o ritmo nos ultimos metros para não chegar esbaforida e conseguir disfarçar caso alguém tivesse passando no corredor.
Quando eu cheguei, ele estava ali na porta: paradinho, bonitinho, rindo pois sabia que ia ter. Me deu um beijinho rápido, um abraço apertado e, sem perder tempo, um tapinha na bunda pra me empurrar pra dentro.
E eu entrei… saltitante, feito uma cabritinha, sem perceber que estava entrando no covil do lobo.
Eu só queria transar. Só isso. Tudo pra mim ainda era muito novo, e eu não fazia ideia de como seria — nem de que jeito. Nunca tinha parado pra planejar. Eu tinha umas ideias, uns fetiches bobos que inventava na cabeça, mas nada que chegasse perto da realidade. Minha irmã sempre dizia que a primeira vez tinha que ser com alguém de confiança, um conhecido, em lugar seguro, com calma, sem pressa.
E foi exatamente assim. Minha primeira vez… com o namorado dela, inclusive.
— E aí, tudo bem? — falei já me engalfinhando nos braços dele, trocando beijos sem dar tempo nem de respirar. — Você tá sozinho, né?
A sala dele já estava diferente de ontem. As prateleiras tinham livros e uns bonequinhos organizados, como se ele tivesse passado a madrugada ajeitando tudo. As cortinas fechadas deixavam o ambiente meio penumbra, fechado, íntimo… privado.
— Eu tô sim, Quica. Esqueceu? Meu amigo só chega daqui algumas semanas. — ele falou com aquele sorriso maroto. — Mas hoje… hoje eu tenho uma ideia pra gente. Só se você quiser, claro.
