Capítulo 30
— Que ideia? — perguntei, curiosa. Mas ao mesmo tempo senti um friozinho percorrer minha espinha. Um alerta bobo, como se o meu corpo tentasse me avisar de um perigo que minha cabeça não entendia ainda.
Ele se inclinou mais perto, o hálito quente no meu ouvido, e disse devagar:
— Eu quero ver se você é uma menina boazinha… e se me obedece direitinho hoje.
“Ahn… essa brincadeira aí é legal!” pensei na hora, o nervoso se misturando com tesão.
Eu sorri e fiz charme, me esfregando nele, colando meu corpo ao dele.
— Eu sou uma menina muito boazinha… — sussurrei, mordendo o lábio e encarando seus olhos.
Ele me pegou pelo braço e me puxou até o centro da sala. Antes, parou, arrastou uma cadeira e colocou bem no meio, entre os sofás, exatamente onde uma mesinha de centro faria muito mais sentido. Mas não, ali estava a cadeira, posicionada de propósito.
Ele sentou-se devagar, como quem já tinha tudo planejado, recostou-se e me olhou de cima a baixo.
Apontou o dedo para mim, firme.
— Tire sua roupa.
Eu congelei.
“O homem quer um strip tease? Meu Deus… que vergonha!” pensei, sentindo meu rosto queimar. Meu corpo inteiro se arrepiou, não só pelo comando, mas porque, de repente, eu não tinha mais o controle pelo visto. A sala escura, as cortinas fechadas, ele ali sentado me olhando como dono da situação. Eu em pé, de saia e blusa, sem saber por onde começar. Meus dedos tremiam só de pensar em levantar a barra da saia.
Ele não repetiu a ordem. Só ficou me olhando, com um sorriso leve, esperando. O silêncio parecia me empurrar mais do que se ele tivesse gritado.
Eu respirei fundo, tentando achar uma coragem que não tinha. Ele não disse mais nada, só me olhava, como se estivesse confortável em me ver fritando de nervoso.
“Tá, eu vou fazer. Não vou ser fresca. Quero ser uma mulher dessas que não fica de mimimi, que vai e faz. Eu vou ser essa mulher.”
Comecei pela blusa. Puxei devagar, tentando imitar as cenas de filme, mas ficou foi ridículo: o tecido enroscou no cabelo e precisei levantar os braços feito uma idiota, me debatendo até soltar. Joguei a blusa na mesa de centro — ou melhor, na mesa improvisada onde estavam acumulando as peças da minha vergonha.
De sutiã, respirei fundo de novo. Meus dedos tremeram na hora de abrir o fecho. Eu queria parecer sexy, mas a trava da peça deu trabalho, parecia rir de mim. Consegui, soltei devagar e deixei cair, como se fosse natural. Meus peitos ficaram à mostra, os bicos arrepiados sem eu querer. Coloquei o sutiã em cima da blusa.
Olhei pra ele. Ele não disse nada. Só sorria.
A saia. Ah, a maldita saia. Tentei descer devagar, rebolando, mas ela enganchou no quadril. Precisei corcovear, puxar a saia com força e acabar rindo de nervoso. Joguei também na mesa.
Agora só de calcinha. Eu respirei fundo mais uma vez. Abaixei devagar, sentindo o elástico estalar na pele, e chutei pro lado. E pronto. Ali estava eu. Nua em pelo. Sem disfarce, sem saber posar, só eu mesma. As roupas todas largadas em cima da mesa, feito troféus da vergonha.
O ar da sala pareceu ficar gelado, bateu na minha pele nua. Me abracei de leve, sem saber onde enfiar as mãos, mas ao mesmo tempo com um orgulho bobo.
“Eu não sou fresca. Eu sou mulher. E tô aqui, pelada na frente dele.”
— Você é linda sabia? — ele disse pausadamente, me admirando, me comendo com os olhos brilhando, amor eu sei que não era, era tesão acho.
Ele estava sentado na sua cadeira e eu ali, pelada, sem saber onde enfiar as mãos, e com aquela vontade estranha de fazer xixi latejando no baixo ventre. O gesto dele foi abrir a calça devagar, deslizando o cinto, e ele me olhava com um sorriso provocador. Meu corpo respondeu antes da cabeça: fui andando até ele, prendi os cabelos e engoli a saliva nervosa. “Caramba… isso de sexo é divertido mesmo, que tesão da porra!”
Ajudei a despir cada peça, até libertar a barra das calças dos pés. De repente, ele estava ali, inteiro, sem nada entre nós. O volume no centro do corpo — bonito, firme, convidativo — me pegou de surpresa: fiquei hipnotizada, examinando ângulos, veias, a curva exata que me prendia o olhar.
A ordem veio seca, como um estalo:
— Chupa. Sem as mãos.
“Tranquilo”, pensei, sentindo o frio na barriga se misturar com o calor que subia por mim. Era um joguinho sexual, o meu primeiro de verdade!
Me agachei entre as pernas dele. Não havia almofada, e eu não queria voltar pra casa com os joelhos marcados — minha irmã faria piada por uma semana.
— Vai machucar meus joelhos — resmunguei, vasculhando ao redor. — São ossudos demais pra isso.
Ele riu, como sempre. Ou eu era irresistivelmente divertida… ou só uma idiota adorável fazendo besteira o tempo todo.
— É rapidinho, Quica. Se doer, você para.
Assenti e fiquei ali, ajoelhada, encarando aquele desafio delicioso. Ele se adiantou na beira da cadeira e abriu as pernas sem cerimônia — todo oferecido. Quando eu vi a textura do saco dele, aquilo me chamou a atenção como um ímã; tenho fraqueza por texturas, e, pela minha breve estatística de dois homens, aquilo tinha textura demais pra eu me concentrar.
— É sem as mãos, né? — confirmei, mordendo o lábio.
— Se você conseguir. — Ele se ajeitou, o rosto ficando um pouco mais sério. — Vai, Quica. Foca.
“Foca.” Ri por dentro. Ele estava começando a entender quem eu sou: quando eu penso demais, o mundo some — e eu vou junto.
Eu ia começar com as mãos e quase caguei o combinado: sem as mãos. Recolhi os dedos e fui direto com a boca. O pau dele apontava alto, quase encostando na barriga. Para alcançar a cabeça eu teria que me esticar, então comecei pelo que me chamou primeiro: o saco.

