Capítulo 32

— Tá bem!

E eu voltei com a boca para onde estava fazendo o meu serviço. O jogo? Sei lá? Devia ter acabado por que agora a minha mão estava enforcando o bicho com força enquanto eu chupava.

Chupar pau é bom demais.

Entre as gemidas dele eu entendi meio como era para fazer, fiquei com cabeça dele na boca chupando e passando a língua por debaixo onde tinha uma pelinha, o freio sabe? Aquilo dava um negócinho bom na boca e a cabeça era a parte mais gostosa de chupar por que era lisinha. Uma mão ficava indo para cima e para baixo no pau dele. A outra, bem, eu não consegui me conter, eu esfregava os dedos no saco dele brincando com a textura da pele, puxando e torcendo.

E sim, ele estava gostando. Muito. A cabeça caída pra trás, o corpo largado na cadeira, as mãos segurando o assento como se o chão balançasse. Gemia alto, uns sons engraçados, meio chiados, que pareciam vir do fundo da garganta. Às vezes me dava vontade de rir — e isso, em mim, é sinal de tesão. Eu sei que parece estranho reparar em tudo, mas é assim que eu gosto: prestando atenção, sentindo cada detalhe.

— Erika… Er… Erika…

Ele me chamou e eu só ergui os olhos. Estava tão jogado pra trás que eu nem via o rosto inteiro. Pensei em responder, mas eu não ia soltar o que estava na minha boca.

— Humm… huuummf…

A coxa dele ficou dura de repente. O corpo encolheu. Conheço esse sinal.

— Eu… eu vou…

“Vai gozar na minha boca.” Me preparei. Afundei mais um pouco, selei os lábios na base da cabeça e deixei a língua apoiar por baixo, bem no freio. Senti a barriga dele travar, o peito subir, o gemido sair alto e meio fino. Me deu vontade de rir do som, mas eu tava ocupada demais. O pau ficou de pedra, pulsou forte contra minha língua, tremeu no meu céu da boca. “Agora vem.”

O primeiro jato veio quente, direto no fundo, pesado. Eu recebi de boca cheia, respirei pelo nariz e segurei. O segundo veio menor, mas deu pra sentir o pulso inteiro correndo pelo eixo até a glande inchar na minha boca. O terceiro já saiu mais raso, quase um espirro. O último foi fraquinho, só pra encerrar. Fui recolhendo tudo com a língua, rodeando por dentro, varrendo as laterais, puxando do sulco até o meio da boca.

O gosto ficou claro: quente, levemente salgado, um traço mais denso no fim. A textura mudou rápido, de líquida pra cremosa, grudando na língua. Eu mantive os lábios fechados pra não babar porra no moço, a mão no queixo só de segurança. Olhei pra ele. Olhos arregalados, pescoço esticado, dedos enterrados no assento. O peito descia devagar, arfando.

Segurei tudo na boca por um segundo, sentindo o calor espalhar, e fiz o que eu queria desde o começo.

Engoli.

Eu testei mais um selinho na cabeça, só pra tirar o restinho que ainda veio em gota. Limpei com a língua, lambi o caminho até a base, deixei um beijo molhado no corpo e subi de novo, devagar, fazendo estalo.

Apertei os lábios num sorriso curto, respirei fundo, abri a boca e mostrei a língua limpa pra ele. Passei os dedos no canto da boca, juntei a baba e levei pra dentro sem pressa.

— Viu? Engoli tudo — falei, satisfeita.

Ele não respondeu. Riu, tentando domar a respiração.

— Me dá um segundo, Quica…

— Tá bom… — soltei, meio de desdém, sem sacar que ele precisava de tempo.

Me levantei. Olhei os joelhos: os dois vermelhos, mas sem arranhar. Ótimo. Enquanto ele se recuperava, peguei o celular só pra conferir. Tela acesa. Mensagem da Cat.

“Cadê você, garota irritante? Me liga urgente.”

— Urgente? O que é que a minha irmã quer comigo agora? Eu tô aqui há, sei lá, uma hora no máximo — resmunguei.

Ele já recomposto soltou um meio riso.

— Mais ou menos isso. O que foi?

— Minha irmã é desesperada. Mandou ligar urgente.

— Então liga logo. Eu vou no banheiro e, quando voltar, a gente continua. Pode ser?

— Pode.

Assenti, destravei a tela e fui pelas últimas chamadas até achar o contato dela. A gente odeia ligação, sempre prefere mensagem. Mas “urgente” é “urgente”. Liguei.

Ela atendeu no primeiro toque. Música alta ao fundo, risada de gente chapada, dava quase pra sentir a maconha saindo pelo fone.

— Quica, tudo bem, irmã?

— Tudo. O que foi? — falei checando a baba quente escorrendo pelas minhas coxas.

— Quebra uma pra mim? Tem como dizer pra mãe que vai ficar aí com o Jonas jogando o WoW de vocês?

— É LoL, não WoW, Cat. Deixa de ser burra, garota. — aquilo sempre me irritava, eu acho que ela fazia de propósito.

— Tanto faz, sua nerdola!

— E eu vou pra onde? Nem sei se posso passar a noite aqui. — e eu nem queria, seria muito abuso, mas seria bom demais dar a noite inteira. — “Será que eu aguento dar a noite inteira?” Pensei.

— Vem pra cá. Tem umas amigas minhas. Você não gosta de conversar com elas?

— Cat, suas amigas me odeiam e só me zoam.

E era verdade, minha mãe tinha mandando eu parar de dar trela para elas, elas perguntavam um coisa do meu hiperfoco e ficavam rindo da minha cara. Eu nem percebia, achava legal ter a chance de falar, mas minha mãe detestava, a Cat também não.

— Porra, Quica, me ajuda. Eu quero dar pra ele e, por sua causa — você e essa língua enorme foram dizer pra mãe que “quer dar” — agora ela não me deixou dormir fora de casa, cacete!

— Ahn, tá… você vai passar a noite pelada, e eu? Não levei roupa. — a parte em que eu fiz merda eu só ignorei.