Capítulo 33
— Quando você terminar aí, passa em casa. Se ela perguntar, diz que foi de Uber pegar roupa pra gente. Aí pede pra mãe ou pro pai te trazerem aqui. Eles nem vão desconfiar.
— Garota… tu é tenebrosa nas artimanhas, hein?
— Você tem que aprender muito comigo, garota. — a segunda parte eu não ouvi; ela falava com alguém ao lado, e eu odeio isso. — E aí, como tá aí?
— Eu bebi a porra dele. — soltei como um tiro.
— Você o quê? — ouvi ela gritar com alguém: — Cala a boca, eu tô no telefone! — e voltou — Você o quê, Quica?
Eu conheço o tom. Catarina surpresa. Ela sempre fica surpresa comigo.
— Eu pedi pra chupar ele e beber o esperma, tá? Levar leitada. Leitinho… nunca ouviu falar? — ri da minha própria piada.
Silêncio do outro lado. Eu só sabia que a ligação não tinha caído porque o fundo seguia barulhento, gente rindo, música alta.
— …Você engoliu mesmo? — veio baixinho, curiosa.
— Tudo. Mostrei a língua pra ele. — falei seca, orgulhosa.
— Meu Deus, Quica. — ela riu, incrédula — Tá… então faz o seguinte: termina de se arrumar, passa em casa, pega roupa, diz pra mãe que vai dormir aqui por causa do tal do… LoL. — ela fez uma pausa — Ah! E fala que está muito divertido aqui e que estamos fazendo somente coisas saudáveis!
— Eu sei que você não acreditou. — provoquei.
— Vai se ferrar. — ela riu de novo — Me avisa quando sair. Te espero no portão. E, Quica…
— Hm?
— Obrigada, viu? — soltou num tom meio debochado, meio sincero.
Eu desliguei na cara dela. Tinha coisa melhor pra fazer do que ficar conversando com a minha irmã. Deixei o celular no volume máximo, caso precisasse, e fui pro banheiro. Ouvi a porta destrancar e encontrei ele no corredor, saindo.
Quando me viu, abriu aquele sorriso. Sempre ficava feliz quando me via. Peladão, pau pendurado, me abraçou forte, abraço bom, daqueles que parecem não acabar.
— O que a gente vai fazer enquanto seu pau não quer trabalhar? — provoquei.
— Hmmm… — fingiu pensar — Posso te retribuir com alguma coisa.
Puxou minha mão e me levou pro quarto. Fui rindo, serelepe, apertando de leve a bunda branca dele no caminho.
— Você vai me chupar? — perguntei adiantando o assunto, me enroscando por trás, os seios roçando na pele dele.
— Sim. Você quer?
Ele me puxou pra frente e deu um empurrão gostoso. Caí rindo na cama.
— Hmmm… — nem sei o que pensei, mas saiu alto a resposta que era óbvia— Quero!
A gente começou a se ajeitar, jogando colchas e travesseiros pro lado. Aí uma coisa gritou na cabeça e escapou pela boca, como sempre.
— Ei, vai ter dedinho?
— Como assim “dedinho”? Colocar o dedo enquanto eu chupo? — ele me olhou curioso.
Eu sou simples, mas às vezes ele acha que eu falo em código.
— Sim. Sem dedo eu não gozo — falei de cara limpa.
— Mas isso é meio básico, não é? Todo mundo deveria saber.
— É. Mas o último não sabia. Chupava gostosinho, me deixou no quase e nada. Sem dedo, definitivamente, a coisa não vai.
Deitados, a coisa não engrenou de imediato. Ficamos abraçados, falando de tudo e de nada. Perguntei do amigo que ia se mudar pra casa dele. Eu tava curiosa: será que ele vai gostar de mim? Como ele é? Ele respondeu curto, sempre cortando assunto. Não insisti. Eu erro fácil quando tento entender gente. Ainda assim, fiquei encucada. Agora que o quarto tava mais arrumado depois da mudança, dava pra ver melhor: mais de um porta-retratos com foto dos dois. Notei, guardei, não comentei. “Sei lá, né.”
Ele perguntou da Cat, de como é a nossa relação e do meu autismo. Ele presta atenção. Gosta de me ouvir. Eu hesitei, mas falei um pouco da minha primeira vez. Contei detalhes, não disse com quem. Tudo bem que ele nem conhece a pessoa, mas saber que foi o namorado da minha irmã seria uma bosta. E, antes que julgue, em minha defesa: eu não sabia que ele era namorado dela. Eu não sou essas daí.
Enquanto eu tagarelava, ele me beijava entre uma frase e outra e fazia um carinho leve nos meus seios, só o suficiente pra me perder do assunto. Sem me calar, ele ergueu meu quadril e enfiou uma almofada embaixo. Eu entendi. Ia me chupar. Tentei terminar a história, juro que tentei, mas ele já estava deitado entre minhas pernas, a boca perto, a mão desenhando de leve na minha pepeca, abrindo com cuidado, tocando de raspão onde eu gosto. A língua veio tímida primeiro, um “oi” quente, e minha fala se quebrou no meio. Respirei fundo, mordi o lábio, olhei pro teto. Ele soprou, depois lambeu reto, devagar, e meu corpo respondeu antes de qualquer palavra. Meu clitinho acordou na hora, a pele arrepiou.
— Continua… — ele sussurrou, sorrindo na minha boca.
Eu até queria, mas o que saiu foi um suspiro. A história que ficasse pra depois. Agora era a minha vez de ficar quietinha e deixar ele trabalhar.
— Continua você… — meio que gemi essas palavras.
Ele começou devagar, beijo macio por dentro das coxas, subindo em círculos até estacionar na entrada. Senti o sopro quente, depois a ponta da língua riscando de leve, só pra acordar a pele. A boca dele abriu minha coisinha com calma, dois beijos longos nas laterais, um selinho úmido no clitinho por cima do capuz, e mais um sopro que me deixou morna por dentro. A mão direita ficou no meu quadril, firme, me ancorando; a esquerda desceu testando o caminho, primeiro um dedo molhando na própria saliva, escorregando por fora, conhecendo a dobra, voltando pro clitinho com a língua em movimentos curtos e regulares.

