Capítulo 14
O banheiro parecia que alguém tinha feito um bukkake de verdade, porra branca grudada no armário, no chão, na pia, escorrendo devagar como se tivesse vida própria. O cheiro subia forte no nariz, misturado com suor, sexo e o cheiro de mofo do banheiro que ficava fechado a maior parte do ano. Jana saiu pelada, enrolou uma toalha na cintura e foi buscar material de limpeza na cozinha, rebolando devagar porque cada passo fazia ela fazer careta.
Quando ela saiu eu reparei no filete de sangue no chão, vermelho vivo misturado com o branco grosso da minha porra. Meu coração deu um pulo. Eu tirei a virgindade da minha amiga. Tipo, de verdade. Não foi só tesão de adolescente, foi real, eu entrei nela até o fundo e rompi tudo. Fiquei olhando pro sangue um segundo, sentindo um misto de orgulho safado e uma pontada de culpa que não durou muito.
Ela voltou com pano, desinfetante e balde, ainda rindo baixo apesar da dor. Limpamos o banheiro juntas em clima de provocação total, eu passando pano no chão de joelhos e ela se abaixando de propósito pra mostrar a bundinha vermelha de tanto tapa que eu dei antes. Toda hora a gente se cutucava, se beijava rápido, língua molhada, mas nada além disso. Depois entramos debaixo do chuveiro frio de matar, água gelada caindo na pele quente, os peitos da gente pareciam pedras de tão arrepiados, mamilos duros apontando pro teto.
Eu reparei que toda hora ela colocava a mão entre as pernas, futucava alguma coisa ali embaixo e fazia uma cara de dor, mordendo o lábio.
— O que foi Jana? Tá doendo?
— Nossa Rebeca, tá, muito, você não tem noção. Parece que cortou sabe? Tipo, arde pra caralho quando eu ando, quando eu sento, quando eu respiro fundo. Mas foi bom demais, sua safada.
Eu não sabia. Eu deveria saber, mas eu não tinha uma buceta como qualquer garota. Meu corpo não sentia aquela dorzinha depois de levar pau, só o tesão de meter e gozar. Terminei o banho rápido, corremos pra vestir alguma coisa velha e confortável, shortinho e camiseta larga, e fomos pra cozinha comer qualquer coisa que sobrou da geladeira.
Ainda tinha algo que não saía da minha cabeça. Pra não parecer uma maluca eu contei que tive um sonho na noite passada, e despejei tudo: a tempestade, a casa destruída, a Lunna com maquiagem borrada e lampião na mão, o chá de camomila, as palavras dela sobre poder, sobre usar o corpo como arma, sobre não me esconder mais. Jana ouvia rindo, pedindo detalhes.
A reação dela só confirmava: nada daquilo tinha acontecido de verdade, foi só sonho louco misturado com vodka e tesão acumulado.
Tentei uma investida com beijos em cima dela na cozinha, encostei a mão na coxa dela subindo devagar, queria muito continuar, meter de novo, sentir ela apertada em volta de mim. Mas ela se esquivou, rindo e correndo de mim pela sala.
— Sussega, não dá, sério, você me arrombou inteira. De noite a gente tenta, prometo.
Fazia sentido dar um tempo. Eu queria muito gozar daquele jeito de novo, sentir o pau latejando dentro dela, mas queria muito mais ainda tentar atrás, enfiar tudo naquele cuzinho apertado que piscava pra mim no banheiro. Então disfarcei a malícia, sorri inocente e soltei.
— Vamos dar uma volta na cidade e comprar coisas pro almoço?
Ela topou na hora, e saímos pra rua rindo alto, dando empurrão uma na outra, zoando o jeito que a gente andava meio torto por causa da queimação de mais cedo. A cidade parecia não se importar com nós duas, isso era estranho pra mim. Não tinha aqueles olhares agressivos da cidade grande que fazem qualquer garota andar olhando pro chão com medo. Os bichos-grilos passavam por nós, davam bom dia com voz animada de quem acorda cedo, perguntavam quem a gente era, mas tudo sem maldade, sem julgamento, como se fôssemos só mais duas meninas passeando. Um velhinho até parou pra falar que a gente lembrava as netas dele, sorriu com dente faltando e seguiu empurrando a bicicleta velha.
Eu ia andando do lado da Jana, mão na dela às vezes, mas minha intenção mesmo era refazer o caminho do sonho até a casa da Lunna. Queria ver se achava a rua, a casinha bonita, o lampião balançando na mão dela. Mas quanto mais eu tentava lembrar a imagem na cabeça, mais ela escapava, borrava, virava fumaça. Era como se aquilo tivesse sido de outro mundo, e isso me deixava angustiada, um nó na garganta que eu tentava engolir sem deixar escapar. Jana percebeu na hora, apertou minha mão mais forte e perguntou baixinho.
— O que foi, Rebeca? Tá com cara de quem viu fantasma.
Eu disfarcei rápido, forcei um sorriso torto e balancei a cabeça.
— Nada não, só pensando na fome. Vamos logo achar o mercadinho.
Passamos pela farmácia pequena da praça, vitrine velha com remédios empoeirados e um cartaz desbotado de gripe suína. Eu congelei na porta, lembrando de repente de tudo que ainda queria fazer com ela. Parei de supetão, puxei o braço dela.
— Jana, a gente precisa de camisinha e lubrificante. — Falei sussurando, mas fazendo um alarde grande demais.
Ela parou também, olhos arregalados, olhando pros lados como se alguém pudesse ouvir.
— Lubrificante pra quê? Você não vai fazer o que eu tô pensando não, tá?
— Mas tem que ter — fiz um gesto com as mãos indicando o tamanho todo, abrindo os braços como se medisse um tronco. — É grande, esqueceu?
Eu não fazia a menor ideia se precisava de lubrificante pra vaginal só porque era grande, mas eu queria mesmo era pra comer o cu dela, e eu sabia que ia precisar de um monte. E pior, tinha outra coisa que eu queria testar também, uma curiosidade safada que não saía da cabeça desde a trepada na pia.
— Cidade pequena, Rebeca. Entrar na farmácia pra comprar camisinha e lubrificante... você sabe que todo mundo vai saber. A farmacêutica vai contar pra meia cidade antes do almoço.
Ela riu nervoso, um riso curto e tremido que morreu rápido no ar, e ficamos as duas paradas ali na frente da farmácia, congeladas como se o chão tivesse grudado nossos pés. Pensando no que fazer, eu imaginava: se a gente tivesse comprado na cidade grande, seria muito mais tranquilo, era só entrar, pagar, sair e nunca mais voltar naquela farmácia específica. Lá o povo tá acostumado com a putaria dos jovens, ninguém liga, ninguém comenta, ninguém liga pros pais. Aqui na serra, se bobear a mulher atrás do balcão me reconhecesse — tipo, “ei, você não é a filha da fulana que tem casa na montanha?” — ia ligar direto pros meus pais antes da gente chegar na porta. Não que eles fossem chiar ruim, meus pais são tranquilos com essas coisas desde que eu abri o jogo sobre tudo, mas ia ser estranho pra caralho explicar por que duas meninas de dezesseis anos tavam comprando caixa de camisinha tamanho GG e um tubo de lubrificante.
Nesse vai não vai, a coragem não vinha, o coração batia na garganta e eu já tava pensando em desistir e inventar outra desculpa pra voltar pra casa. Foi quando uma voz surgiu atrás de nós, masculina, mas num tom feminino, rouca e arrastada de quem fuma desde os quinze.
— Meninas, tão precisando de ajuda aí?
E quando eu vi eu gelei.
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