Capítulo 16
O maiorzão deles veio com um outro, esse segundo era bonito pra caralho, fazia meu tipo totalmente. Mesmo se vestindo com roupas esportivas era arrumado, camisa polo justa marcando o peito sem forçar, bermuda de marca caindo certinho nas coxas, cabelo penteado de lado com aquele ar de quem acorda cheiroso e sabe disso. Eu gosto de garoto com cara de riquinho, sabe? Do tipo que parece que vai te levar pra um lugar caro e ainda pagar a conta sem piscar.
Jana travou os olhos em mim querendo disfarçar pra não rir na cara deles. Mas não deu, quando os dois chegaram o menino maior fez sombra na gente, corpo enorme bloqueando o sol da tarde, e eu fiquei arrepiada só de estar perto dele. O calor dele chegou antes, um cheiro forte de suor limpo misturado com perfume caro que subiu direto pro meu nariz e fez o Cláudio acordar de vez. Só deu tempo de sussurrar pra ela.
— O grandão é teu, ainda bem que eu já te arrombei sua piranha. — falei rápido e baixo antes que eles pudesse ouvir.
Ela nem conseguiu responder, abriu a boca pra falar alguma coisa, mas veio um oi em coro deles.
— Oi meninas, tudo bem? — cada um cumprimentou de um jeito, todos gentis e educados, voz grossa mas sem grosseria. — A gente viu vocês ali e veio sei lá, puxar assunto. Tudo bem?
— Claro, tudo bem — Jana respondeu quase abrindo as pernas, sorriso safado escorrendo no rosto.
Eu fiquei meio muda, rindo pra acompanhar, mas olhando os dois mais de perto. O rapaz grande era gostoso pra porra, todo definido, usava uma blusa justa que apertava os músculos dele mais que minha calcinha apertava meu pau. Peitoral marcado, braços grossos, veias saltadas nos antebraços como cordas. Na hora eu senti um arrepio subir pela espinha inteira e o meu pinto pulsando forte, crescendo rápido dentro da calcinha, latejando contra o tecido fino. Desviei o olhar na hora pra não mostrar de cara que minha ereção era muito maior que a deles, cruzei as pernas mais forte, mas o movimento só fez ele roçar mais, babar pré-gozo que molhava tudo.
— Então o que fazem por aqui? — o grandão perguntou, voz baixa e rouca, inclinando o corpo pra frente como se quisesse nos cercar.
A gente era bonita, eles eram bonitos...
Não deu meia horinha e Jana que deveria ficar com o grandão foi escolhida pelo bonitinho e já tava se pegando aos beijos do outro lado da praça, língua na boca dele, mão no cabelo, rebolando de leve contra a coxa grossa dele como se o mundo não existisse mais. O grandão ficou comigo, coitado se esforçou pra puxar conversa, perguntando se eu gostava da serra, se tava curtindo o ar fresco, se queria tomar uma cerveja gelada. Eu queria muito ficar com ele, pegar ele gostosinho, imaginar aquelas mãos grandes me apertando, me erguendo contra a parede da praça, o pau dele duro roçando na minha coxa enquanto eu sentia o Cláudio latejando louco na calcinha. Mas vocês já sabem né? O medo batia forte, o coração acelerado pensando no momento que ele descobrisse e virasse o jogo.
Aí eu lembrei de tudo que eu tinha feito até hoje, do post que eu fiz no Instagram, das lágrimas que engoli sozinha, das palavras da Lunna sobre poder, sobre usar o corpo como arma, sobre não pedir permissão pra ser quem eu sou. E eu soltei.
— Olha cara, eu sei que eu adoraria ficar com você, mas eu tenho que dizer uma coisa antes.
— O que? Você tem namorado? Eu não sou ciumento. — Disse fazendo cara de espertalhão.
— Não, não é isso... eu sou trans.
Eu nunca tinha tentado essa estratégia por mais óbvia que parecesse, era simples falar isso, as pessoas sabem o que trans mas se eu falasse o nome da minha condição ninguém ia conseguir repetir o nome direito, e futanari, isso é coisa de punheteiro que lê anime. O cara olhou pra mim e faltou se engasgar de tanto rir, jogou a cabeça pra trás gargalhando alto, mão na barriga como se eu tivesse contado a melhor piada do ano.
— Nossa gata, eu já recebi toco antes, mas com tanta criatividade assim, é a primeira vez.
Eu gostei do grandalhão, ele tentava e quando eu falei ele respondeu de boa, sem nojo, sem cara feia, só rindo como se fosse uma zoeira entre amigos. E eu fiquei mais à vontade com aquilo, ele me deixava meio mole eu confesso, imaginava como seria fazer umas sacanagens com ele, ele parecia ter um pau legal, grosso, daqueles que enche a mão e faz a gente gemer só de olhar. O volume na bermuda dele já tava marcando bonito, e o meu Cláudio respondia na hora, pulsando forte, babando pré-gozo que deixava a calcinha grudenta e quente.
— Mas eu sou, por que você não acredita em mim? — falei indignada, voz saindo mais fina do que eu queria, mas com um sorrisinho safado escapando no canto da boca.
Ele parou de rir devagar, inclinou o corpo pra frente, olhos castanhos escuros grudados nos meus, sorriso torto voltando.
— Tá bom, me prova então. Mostra aí que eu acredito na hora.
— Eu não vou mostrar meu pinto pra você. Tá maluco?
Ele riu de novo quando eu esbravejei, aquele riso grave que vibra no peito dele e faz o meu corpo inteiro arrepiar. Aí ele se inclinou mais, rosto perto do meu, hálito quente com cheiro de cerveja e hortelã, olhos castanhos escuros grudados nos meus.
— Eu não ligo de você ser trans...
E me beijou.
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