Capítulo 20
Teve uma pausa pra gente ir ao banheiro antes de tudo começar de verdade. Jana não me decepcionou, quando eu saí pra um xixi rápido vi que ela deixou no chão junto à porta do quarto onde eu estava o lubrificante e as camisinhas. Eu sorri aliviada, peguei tudo e guardei na mesinha de cabeceira, imaginando o que aquela puta estava aprontando no quarto dela. Confesso que quando passei em frente à porta dela parei um segundinho pra bisbilhotar, encostei a orelha na madeira fria, mas ou eles estavam dormindo ou estavam fazendo o sexo mais silencioso da face da terra, nem um gemidinho, nem um rangido de cama.
Eu fui pro banheiro me limpar um pouco, lavei o rosto, passei água fria na nuca pra acalmar o fogo que ainda queimava baixo na barriga, e voltei pro quarto. O grandalhão entrou logo depois de mim, fechando a porta com o ombro.
— Levanta a tampa! — briguei com ele enquanto ele ainda virava a chave.
— Você levantou? — o som veio de dentro da porta fechada do banheiro, voz grossa e zoando.
Eu fiquei puta, esmurrei a porta esbravejando que ele tinha acabado de alugar um triplex na minha cabeça.
— Eu faço xixi sentada seu porco!
Eu fiquei rindo daquela idiotice e de como eu tinha ficado irritada por nada, voltei pro quarto pra juntar as roupas espalhadas no chão, dobrei a blusa dele, joguei o shortinho e a calcinha molhada num canto, arrumei o lençol bagunçado enquanto ouvia a descarga e a torneira correndo. Meu coração ainda batia forte, o Cláudio meio mole mas acordando de novo só de pensar no que ia rolar quando ele voltasse. Coloquei o lubrificante e as camisinhas bem na cabeceira, ao alcance da mão, e me sentei na beira da cama esperando ele, pernas cruzadas, sorrindo sozinha da nossa própria palhaçada.
Nisso que eu estava distraída tentando não pensar no que viria depois, eu ouvi a porta se fechando atrás de mim, mas a pessoa era pequena demais pra ser ele.
— Rebeca, mulher... — ela falou se jogando na cama e me puxando pra sentar do lado dela — O homem é ruim demais amiga...
Ela falava de um jeito que parecia que o cara estava batendo nela.
— Mas como assim, ruim?
— Ruim, do tipo ruim, o cara encosta em mim e machuca, me dá nervoso. Ele é lindo de morrer, mas é ruim demais.
Eu olhei por cima do ombro dela, logo o meu grandão ia voltar e fiquei com medo dela me atrapalhar com ele.
— Uai, toma atitude e diz como você quer, ué?
— E você acha que ele deixa? Olha isso... — Jana se empinou pro lado e mostrou uma mancha vermelha que ia ficar roxa na coxa no dia seguinte — o cara cismou de ser todo bdsm de uma hora para outra, me deu um porradão que me machucou.
— Fudeu... — falei decepcionada vendo que minha foda ia ser atrapalhada pelo animalzinho que não sabe se comportar.
Eu não poderia deixar a Jana com ele, vai que ele faz coisa pior com minha amiga?
— Ahn amiga, eu ia continuar aqui, mas eu falo com ele e digo que eu não quero mais, que depois a gente continua, ou mando ele dispensar o amigo.
— Ah! — ela soltou um monossilabo alto e depois voltou a sussurrar em segredo — E o merdinha ainda falou que quer trocar, deve estar agora conversando com seu namoradinho sobre.
Eu ri lentamente.
— Ele vai ter uma surpresa se fizer isso.
As duas riram baixo, ombro colado no ombro, o riso saindo abafado pra não chamar atenção.
— Mas, eu acho que o grandão não vai falar... é... você sabe...
Jana ergueu a sobrancelha, olhos brilhando de curiosidade.
— Sabe o quê? Fala logo mulher.
— Ele tá... tipo... curioso. Comigo. Com isso aqui — fiz um gesto discreto apontando pro meu colo, onde o short ainda marcava o volume mesmo mole. — Ele não amarela não, Jana. Tá mais pra... querendo experimentar.
Ela arregalou os olhos toda surpresa, depois deu uma risadinha safada.
— O quê?! — quase gritou, mas eu tapei a boca dela na hora — O que ele fez?
Dei uma olhada rápida pra porta pra ver se o grandão não tava chegando.
— Só faltou terminar o serviço... Por que de resto amiga, o homem mamou mais que você...
— ELE É VIADO AMIGA?
— Fala baixo caralho! — briguei com ela. — Porra, tá maluca?
Ficamos quietinhas um segundo, ouvindo pra ver se alguém tava espiando. Aí eu contei tudo rapidinho, com o máximo de detalhes que deu, mas sem enrolar. Ela ouvia de boca aberta, sem piscar, como se não acreditasse no que tava saindo da minha boca. Não sei se ela duvidava mais das coisas que eu fiz ou das coisas que ele deixou eu fazer com ele.
— E agora amiga? Quem come quem nessa brincadeira de espadinha?
Olhei pra ela com cara de cansada, ombros caindo.
— Não faço ideia. Tô morrendo de medo.
— Ahn Rebeca, mas essa não vai ser a sua última oportunidade, relaxa também né!
— Pois é, eu sei... mas sei lá, vamos ver.
Ela se levantou vendo que tava sobrando e foi pra porta, mas parou antes de sair e soltou.
— E viu, coloca a camisinha pra não engravidar o moço.
E saiu porta fora às gargalhadas, deixando eu ali sozinha rindo baixinho e balançando a cabeça. A porta ainda nem tinha fechado direito e eu já sentia o Cláudio acordando de novo só de lembrar da cara dele todo entregue.
Minutos depois o rapaz entrou no quarto, de camisa apertada marcando cada músculo e cuequinha que mal cabia o volume. Se a Jana visse ele assim ia ficar doida, babando na hora. Ele pelo visto aproveitou pra conversar com o amigo no caminho, eu tava curiosa pra saber o que os dois tinham trocado e tentei sondar.
— E aí, tava conversando com seu amigo?
— Ahn sim, ouvi do corredor vocês conversando e entrei lá pra trocar uma ideia, quando ela chegou no quarto eu vazei.
— E ela viu você... — apontei pra ele, já toda cheia de ciúmes — assim?
Ele riu, mas sem se entregar veio até mim me agarrando pela cintura, me puxando contra o peito quente.
— Tá com ciúmes é? O que é bonito é pra se mostrar — falou enquanto me enchia de beijos, boca quente descendo pelo meu pescoço, mãos grandes apertando minha bunda de leve.
— É, só não se mostra muito porque ele tá te querendo também, tá querendo juntar todo mundo num quarto só.
Eu já tinha imaginado que aquela proposta viria, Jana jamais aceitaria, mas rapidamente pensei um monte de coisas. Como seria fazer com mais três pessoas? Mãos diferentes, bocas diferentes, paus diferentes, gemidos de todo lado, eu no meio ou de fora olhando? O Cláudio dentro de alguém enquanto outro me comia? Meu coração acelerou, confusão misturada com tesão e um medo esquisito de perder o controle. Minha cabeça girou com tanta imagem que eu precisei respirar fundo pra voltar pro agora. Não. Não quero. Prefiro só ele, só nós dois, sem plateia, sem divisão.
Mas outra coisa que me chamou atenção foi que ele falou aquilo de um jeito que não tava muito querendo que acontecesse. Em parte eu sabia que ele não queria que o amigo soubesse de verdade, mas ia acabar sabendo. A merda toda, se o baixinho bisbilhotasse dois minutos minhas redes sociais ia descobrir tudo, e o grandalhão, eu acho que nem tinha pensado nesse detalhe. Fiquei preocupada com isso. Fiquei olhando ele me contar sobre o amigo e sobre a conversa, ele tinha um jeito doce que não combinava muito com o tamanho dele. Eu fiquei pensativa. Eu namoraria com ele se ele quisesse. Será que ele me assumiria?
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