Capítulo 31
De manhã o sol já entrava pela fresta da cortina, mas eu ainda não queria abrir os olhos de verdade. Fiquei ali, deitada de lado, celular na mão, rolando a tela sem ler nada, só adiando o momento de botar o pé no chão. O corpo inteiro carregava o peso gostoso da noite passada: coxas doloridas, um ardor surdo entre as pernas que latejava toda vez que eu mudava de posição. Era aquela lembrança física da foda bruta, da raiva misturada com tesão, e um sorriso bobo escapou sem eu mandar.
Queria ligar pra Manu agora mesmo. Queria contar cada detalhe sujo, ouvir ela rindo alto e soltando um “sua doida do caralho” antes de perguntar: “e agora, como você vai botar os dois no mesmo quarto?”. Porque eu já tinha decidido. Júnior queria ver? Então ia ver. Ia ver tudo. Sem filtro, sem piedade. A ideia me dava um frio na barriga misturado com um calor que subia rápido pelo peito. Culpa? Ainda tinha um restinho gritando lá no fundo, mas o desejo de ir até o fim era mais alto, mais rouco.
Levantei devagar, sentindo cada músculo reclamar. Fiz xixi com a porta aberta — nem me dei ao trabalho de fechar — lavei o rosto com água fria e saí do banheiro só de calcinha preta e uma camiseta velha dele que mal cobria a bunda. O cheiro de café fresco chegou antes de eu ver a cozinha. Espreguiçando os braços pra cima, alongando as costas, caminhei descalça pelo corredor frio.
Ele estava lá, de costas, mexendo na cafeteira. Quando me ouviu, virou rápido. O sorriso tímido apareceu na mesma hora, quase infantil, como se estivesse esperando permissão pra existir no mesmo espaço que eu.
— Bom dia… — voz baixa, cuidadosa.
Eu parei na entrada da cozinha, arrumando o cabelo bagunçado com os dedos, deixando a camiseta subir um pouco mais. Ele não disfarçou o olhar que desceu pelas minhas coxas.
— Bom dia. — respondi, neutra, esperando.
Ele já estava servindo o café na xícara que eu sempre uso, aquela branca com a borda lascada. Estendeu pra mim sem dizer nada. Peguei, soprei a fumaça quente, dei um gole pequeno. O líquido desceu queimando gostoso.
— Dormiu bem? — ele perguntou, tentando soar casual, mas a voz tremia de leve.
— Dormi. E você?
Ele hesitou, coçando a nuca.
— Mais ou menos… Você mandou eu dormir no chão. E eu obedeci.
Fiquei parada, xícara na mão, olhando pra ele como se tivesse ouvido errado. No calor da noite, com raiva pulsando nas veias, eu mandei mesmo. Joguei o travesseiro e o lençol no chão e disse: “Você vai dormir sujo, no chão”. Achei que era só bravata. Que depois, quando eu apagasse, ele ia rastejar pro sofá do escritório ou subir de fininho na cama como sempre fazia.
— Você… ficou mesmo no chão a noite inteira?
Ele baixou os olhos, assentiu devagar.
— Fiquei.
— Por quê, Júnior? Por que não foi pro sofá? Ou subiu pra cama depois que eu dormi?
Ele engoliu em seco. A voz saiu quase um sussurro.
— Você mandou. E eu obedeci.
O silêncio caiu pesado entre a gente. Só se ouvia o barulhinho da cafeteira terminando de pingar e o meu coração batendo mais forte no peito.
Dei outro gole no café, devagar, sentindo o calor descer pelo esôfago enquanto olhava pra ele.
— E agora… você faz tudo que eu mando?
Ele levantou o rosto. Os olhos brilhando com uma mistura de medo, vergonha e algo mais escuro, mais faminto.
Não respondeu com palavras.
Só assentiu. Uma vez. Lento. Como quem assina um contrato sabendo que a tinta ainda vai queimar a pele.
Ele me olhou com aquela cara vazia de sempre, olhos meio baixos, boca sem curva nenhuma, como se o mundo inteiro tivesse desligado o som dentro dele. Aquela expressão de bunda mole que me dava ódio desde o primeiro ano de casados. E aí veio de novo: aquela coisa animal subindo pelo peito, quente, apertada, querendo rasgar tudo.
— Então, corno… — minha voz saiu baixa, quase um rosnado. — A partir de hoje eu quero meu café todo dia de manhã servido com você pelado. Sem roupa nenhuma. Mesmo que esteja frio pra caralho.
As palavras saíram carregadas: provocação, raiva, tesão misturado, e uma curiosidade doentia querendo saber até onde aquilo ia descer. Ele não piscou. Não respondeu. Só levou as mãos na cintura da bermuda cinza surrada, desceu devagar, o tecido roçando nas coxas magras antes de cair nos tornozelos com um baque mole. O pau apareceu, pendurado, ainda mole, balançando de leve com o movimento. Pele clara, quase branca, contrastando com o piso frio. Ele se virou de costas de novo, como se nada tivesse acontecido, pegou a esponja e continuou esfregando a mesma panela que já tava limpa há minutos.
Fudeu.
O calor subiu instantâneo. Do ventre pro peito, pros mamilos que endureceram contra a camiseta velha, pras coxas que se apertaram uma contra a outra. A buceta pulsou forte, molhada de repente, latejando como se tivesse vida própria. O cheiro de café fresco misturado com o sabão de limão e o leve suor dele que já começava a brotar na nuca. Puta merda, que tesão do caralho.
Fiquei parada ali, xícara quente na mão, olhando a bundinha branca dele se mexer devagar enquanto lavava. Redonda, firme nas laterais, mas mole no meio, marcada de leve pelo lençol que usou de coberta no chão. A vontade de agarrar, de cravar as unhas na carne, de puxar ele pra trás e sentar no pau dele ali mesmo era quase insuportável. Mas não. Ele não merecia. Esse filho da puta vivia de graça na minha casa, dormia na minha cama, e ainda tinha a sorte de me comer quando eu queria. Merecia era engolir mais humilhação.
Olhei o relógio digital na parede: 07<42>42>. Eu ia atrasar de novo. O trânsito já devia estar um inferno.
Foda-se.
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